CICLO
Que Farei Eu com Esta Espada?


A partir de 1 de julho, regressam as habituais sessões de cinema ao ar livre. Excecionalmente, neste mês será apenas na Esplanada que a Cinemateca Portuguesa terá a sua programação regular. Devido a trabalhos técnicos nas salas de cinema M. Félix Ribeiro e Luís de Pina para manutenção e melhoria dos equipamentos de som – os quais vão decorrer ao longo de todo o mês de julho -, a programação da Cinemateca passará exclusivamente pelas sessões na Esplanada de segunda-feira a sábado (sempre às 21h45), sendo quase exclusivamente preenchida com a continuação dos quatro eixos do programa que decorre ao longo de 2024 a pretexto dos 50 anos do 25 de Abril: Revolução, Liberdade, Comunidade e Futuro.

Liberdade. Nas projeções ao ar livre da Esplanada a liberdade é a da fuga para lado nenhum ou rumo a fronteiras que deixam para trás territórios dominados por regimes repressivos. Também é a do gesto de quem escolhe a liberdade de expressão artística. A do cinema em sete filmes diversos: nos anos 1930 de Hollywood, jogando com os limites ou trocando as voltas ao código de produção censório que entretanto se impôs; nos anos 1950 japoneses em que uma mulher realizadora filmou improvavelmente a personagem de uma mulher extraordinária; à beira dos anos 1960 franceses da Nouvelle Vague em fase com o cinema moderno; nos anos 1980 americanos em visão distópica de um futuro próximo; nos anos 2020 do Irão, aproximando filmes de dois cineastas de gerações diferentes que respondem pelo mesmo apelido. King Vidor e Frank Capra, Kinuyo Tanaka, François Truffaut, John Carpenter, Jafar e Panah Panahi.

Revolução. Mais cinco momentos que assinalam capítulos importantes da relação entre o cinema e as ideias (ou as práticas) revolucionárias. Das fronteiras marginais do cinema americano, um clássico do cinema independente e politicamente feroz, essencial numa História da representação das ideias feministas (BORN IN FLAMES). Dois filmes de dois realizadores italianos (Zurlini e Bellocchio), estreados no mesmo ano, onde o primeiro, no seu filme mais claramente político, examina o caso de Patrice Lumumba, e o segundo propõe uma espécie de comédia maoísta que fixou a temperatura política na Itália pré-Maio de 68. Veremos ainda o mais famoso filme da colaboração entre Cuba e URSS (o SOY CUBA de Kalatozov), e regressamos à mãe de todas as revoluções, a francesa, através da mordacidade de Rohmer em L’ANGLAISE ET LE DUC.
 
Comunidade. Em julho prolongamos várias vertentes distintas de um cinema comunitário ou feito de comunidades. Do uso dos recursos estéticos do cinema para a criação de movimentos corais que extravasam o individual como, de modo tão diferente, fizeram King Vidor, Howard Hawks, ou Frank Capra no período áureo do cinema clássico norte-americano; ao retrato por Roberto Rossellini de S. Francisco e da primeira comunidade de frades que o acompanharam, num realismo poético despojado; ou a muito recente “história” de Ihjãc Krahô e da sua comunidade indígena filmada por João Salaviza e Renée Nader Messora. A estes olhares somamos o mundo estilizado de Aki Kaurismäki no segundo capítulo da sua trilogia portuária e as gravuras animadas por Regina Pessoa, dois filmes que traduzem perspetivas acutilantes sobre a diferença face a comunidades hostis.
 
Futuro. Em julho, o eixo do FUTURO estrutura-se em redor do subtítulo “Começos e Recomeços”. Para isso convocamos uma série de títulos que, aproveitando o contexto do cinema na Esplanada da Cinemateca, nos apresentam personagens em momentos de encruzilhada: ora o espírito de devoção maternal pelo anticristo, ora o desejo de pertença (a um ninho, a uma casa) e o desejo de liberdade, ora o grito festivo da estrada, ora uma carreira que se levanta (e cai), ora as etapas veranis do crescimento, ora ainda o gatilho atrevido de uma mudança de vida.
 
 
26/07/2024, 21h45 | Esplanada
Ciclo Que Farei Eu com Esta Espada?

Ja Kuba / Soy Cuba
“Sou Cuba”
de Mikhail Kalatozov
URSS, Cuba, 1964 - 140 min
 
27/07/2024, 21h45 | Esplanada
Ciclo Que Farei Eu com Esta Espada?

Jackie Brown
Jackie Brown
de Quentin Tarantino
Estados Unidos, 1997 - 154 min
29/07/2024, 21h45 | Esplanada
Ciclo Que Farei Eu com Esta Espada?

Escape From New York
Nova Iorque 1997
de John Carpenter
Estados Unidos, 1981 - 99 min
30/07/2024, 21h45 | Esplanada
Ciclo Que Farei Eu com Esta Espada?

Khers Nist
Ursos Não Há
de Jafar Panahi
Irão, 2022 - 107 min
31/07/2024, 21h45 | Esplanada
Ciclo Que Farei Eu com Esta Espada?

Born in Flames
de Lizzie Borden
Estados Unidos, 1983 - 90 min
26/07/2024, 21h45 | Esplanada
Que Farei Eu com Esta Espada?
Ja Kuba / Soy Cuba
“Sou Cuba”
de Mikhail Kalatozov
com Sergio Corrieri, Luz Maria Collazo, José Gallardo, Raul Garcia
URSS, Cuba, 1964 - 140 min
legendado eletronicamente em português | M/12
Revolução
Ao que parece, muitos cubanos referem-se a este monumento do kitsch comunista como “Não Sou Cuba”… Mikhail Kalatozov (QUANDO PASSAM AS CEGONHAS), um realizador de prestígio na URSS, conta aqui quatro histórias situadas no período final da ditadura de Fulgencio Batista, que mostram que a revolução era necessária. As histórias são entremeadas com poemas de Evgueni Evtuchenko lidos em off. Na última história, um camponês vai juntar-se à guerrilha de Fidel Castro e o filme chega ao fim com a revolução às portas de Havana. A mistura de pesada propaganda política e rebuscado estetismo (lentes deformadoras, ângulos insólitos, hipertrofia dos ruídos) cria um objeto insólito, em que Cuba é mostrada como uma espécie de terra virgem antes do começo da História (comunista, claro está). É ver para crer. A exibir em cópia digital.

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27/07/2024, 21h45 | Esplanada
Que Farei Eu com Esta Espada?
Jackie Brown
Jackie Brown
de Quentin Tarantino
com Pam Grier, Samuel L. Jackson, Robert Forster, Robert De Niro, Bridget Fonda
Estados Unidos, 1997 - 154 min
legendado em português | M/16
Futuro
É tido pelo menos Tarantino dos filmes de Tarantino – mas é, possivelmente, aquele que o próprio realizador mais gosta e defende (o seu recente livro Cinema Speculation é, até certo ponto, um ensaio autobiográfico em torno das referências que deram origem a JACKIE BROWN). Filme de homenagem aos blaxploitation dos anos 1970, é também um filme dedicado à grande atriz desse subgénero, Pam Grier. Adaptado de um romance de Elmore Leonard, Tarantino deu uma pistola à protagonista e pô-la num labirinto de violência onde vários grupos se confrontam. Uma mulher perante uma escolha (trair a máfia e entregar-se à polícia ou deixar-se capturar e permanecer em silêncio) tem de decidir o seu destino.

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29/07/2024, 21h45 | Esplanada
Que Farei Eu com Esta Espada?
Escape From New York
Nova Iorque 1997
de John Carpenter
com Kurt Russell, Lee Van Cleef, Ernest Borgnine, Harry Dean Stanton, Donald Pleasance
Estados Unidos, 1981 - 99 min
legendado eletronicamente em português | M/16
Liberdade
Na visão apocalíptica do argumento, coescrito por John Carpenter sob a influência do escândalo Watergate, Manhattan é uma gigantesca prisão onde cai o avião presidencial, sendo o presidente usado como refém pelos prisioneiros. Um homem que nada tem a perder é enviado para tentar o impossível. Uma das mais ambiciosas produções de John Carpenter, que nos anos 1990 teria uma (fabulosa) sequela em ESCAPE FROM L.A. Neste como noutros filmes, “o cineasta exprime-se sobretudo pelo décor e pelo som, quando todo o cinema dominante dele e nosso contemporâneo os utiliza como efeito, circunflexo acento sobre o argumento […] Aqui o script desvanece-se e fica só a sombra e a solidão […]” (João Bénard da Costa). A apresentar em cópia digital.

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30/07/2024, 21h45 | Esplanada
Que Farei Eu com Esta Espada?
Khers Nist
Ursos Não Há
de Jafar Panahi
com Jafar Panahi, Naser Hashemi, Vahid Mobaseri, Bakhtiar Panjei, Mina Kavani
Irão, 2022 - 107 min
legendado em português | M/12
Liberdade
Escrito, realizado e produzido por Jafar Panahi no Irão, URSOS NÃO HÁ foi rodado na clandestinidade, na fronteira com a Turquia, retratando, diz a sinopse, “duas histórias de amor perturbadas por obstáculos inevitáveis, a força da superstição e os mecanismos do poder”. Trata-se de novo corajoso filme do grande Jafar Panahi, que durante largos anos escolheu a liberdade de filmar no seu país pagando o custo da vigilância apertada do regime, das circunstâncias opressivas, da clausura. Neste filme interpreta um cineasta com o seu nome que dirige, à distância, uma filmagem no outro lado da fronteira à volta de um casal de refugiados que aguarda a fuga para França. “Uma forma de rebelião contra uma ordem social hipócrita que é um eco premonitório das atuais revoltas das mulheres no Irão. Ao tirar o hijab elas dizem à sua maneira: circulem, não há nada para ver, não há ursos” (Cahiers du cinéma). Primeira apresentação na Cinemateca.

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31/07/2024, 21h45 | Esplanada
Que Farei Eu com Esta Espada?
Born in Flames
de Lizzie Borden
com Honey, Adele Bertei, Kathryn Bigelow
Estados Unidos, 1983 - 90 min
legendado eletronicamente em português | M/16
Revolução
Quarenta anos depois de ter sido feito, em moldes radicalmente independentes, BORN IN FLAMES tornou-se um marco histórico do cinema americano de inspiração – ou afirmação – feminista. Primeira ficção de Lizzie Borden, inventa um estilo que por vezes se aproxima do falso documentário para descrever um futuro politicamente distópico e investigar qual seria nesse contexto o lugar dos grupos e sectores sociais tradicionalmente subjugados – não apenas as mulheres, também os afro-americanos, os homossexuais, etc. Violento, anárquico, divertido e imaginativo, é um dos últimos grandes momentos da tradição agitprop no cinema. A exibir em cópia digital.
 
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