CICLO
Histórias do Cinema: Adrian Martin / Billy Wilder


Adrian Martin, australiano atualmente radicado em Espanha, é uma presença indispensável na cena crítica internacional desde os anos oitenta. Ligado ao meio universitário australiano – a Universidade de Monash, onde lecionou durante décadas – e com muito trabalho produzido nesse âmbito, a sua atividade transcende em muito esse contexto específico. Foi crítico de cinema em jornais e revistas australianas, e escreveu dezenas de ensaios, sobre os mais variados temas, para publicações europeias e americanas. Tem obra publicada em livro, sempre numa gama temática variada e eclética, que tanto o leva a escrever sobre o cinema de Raúl Ruiz como sobre a vasta questão da “cinefilia” nos tempos modernos. Como editor da revista “online” Rouge, dirigida a partir da Austrália, foi um dos protagonistas da “revolução crítica” trazida, ou proporcionada, pela Internet, algo que teve sequência na fundação, mais recente, de outra revista “online”, Lola. Este trabalho crítico pode hoje ser seguido num site oficial na internet, Film Critic: Adrian Martin. Para além de tudo isto, Adrian Martin tem colaborado com inúmeras editoras de DVD e Blu-ray, escrevendo e gravando os comentários áudio de dezenas, muitas dezenas, de edições de filmes clássicos e modernos. Adrian Martin regressa à Cinemateca depois de aqui ter apresentado umas “Histórias do Cinema” dedicadas ao cinema de Fritz Lang em 2016.
Billy Wilder (1906-2002) cruzou sete décadas da história do cinema, dos anos 20, quando se iniciou como argumentista, aos anos 80, quando encerrou a carreira (com BUDDY BUDDY, filme de 1981). Formado no cinema germânico da república de Weimar, seguiu o trajecto de muitos outros (especialmente os que, como ele, eram judeus) e saiu da Alemanha quando os nazis chegaram ao poder em 1933. Foi já no exílio, mais precisamente em França, que Wilder se graduou de argumentista a realizador (com MAUVAISE GRAINE, filme de 1934). Mas o seu destino final foi Hollywood, onde deixou uma marca fundamental. A sua especialidade era a comédia, a comédia de várias tonalidades, da mais doce à mais ácida, que normalmente tinha por objeto a irrisão da puritana moral sexual dos americanos; mas se não se pode falar de Wilder sem falar da comédia (nem da comédia hollywoodiana sem falar de Wilder), ele foi muito mais do que só um cómico, e o trabalho noutros géneros (como o noir em DOUBLE INDEMNITY) teve uma importância decisiva na própria definição dos cânones do género.
E não se pode esquecer, também, que Wilder era um observador extremamente lúcido dos cultos criados pela própria Hollywood, e que sobre eles assinou pelo menos dois títulos fundamentais, SUNSET BOULEVARD e um seu reflexo tardio, FEDORA. Realizador e argumentista de génio, capaz de transformar os atores com que trabalhava (foi ele que descobriu, para não dizer que inventou, a comédia que havia em Marilyn Monroe), Wilder foi das personalidades artísticas mais determinantes para a construção da imagem que hoje temos do legado do cinema americano clássico.
SESSÕES-CONFERÊNCIA | As intervenções de Adrian Martin serão feitas em inglês, sem tradução simultânea.

 
18/05/2026, 18h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Histórias do Cinema: Adrian Martin / Billy Wilder

Double Indemnity
Pagos a Dobrar
de Billy Wilder
Estados Unidos, 1944 - 107 min
19/05/2026, 18h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Histórias do Cinema: Adrian Martin / Billy Wilder

Love in the Afternoon
Ariane
de Billy Wilder
Estados Unidos, 1957 - 130 min
20/05/2026, 18h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Histórias do Cinema: Adrian Martin / Billy Wilder

The Apartment
O Apartamento
de Billy Wilder
Estados Unidos, 1960 - 124 min
 
21/05/2026, 18h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Histórias do Cinema: Adrian Martin / Billy Wilder

Avanti!
Amor à Italiana
de Billy Wilder
Estados Unidos, 1972 - 144 min
 
22/05/2026, 18h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Histórias do Cinema: Adrian Martin / Billy Wilder

Fedora
O Segredo de Fedora
de Billy Wilder
Alemanha, França, 1978 - 114 min
18/05/2026, 18h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Histórias do Cinema: Adrian Martin / Billy Wilder
Double Indemnity
Pagos a Dobrar
de Billy Wilder
com Barbara Stanwyck, Fred MacMurray, Edward G. Robinson
Estados Unidos, 1944 - 107 min
legendado em castelhano e eletronicamente em português | M/12
SESSÃO-CONFERÊNCIA POR ADRIAN MARTIN
Adaptado por Raymond Chandler de um romance de James M. Cain, DOUBLE INDEMNITY é o arquétipo maior do filme “negro”, onde Barbara Stanwyck surge como o paradigma da mulher fatal, que, em cumplicidade com um agente de seguros que seduz, planeia a morte do marido num acidente, para receber uma indemnização dupla. Robinson é o chefe da investigação que paulatinamente vai juntando os fios da meada. A exibir em cópia 35mm.
 
19/05/2026, 18h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Histórias do Cinema: Adrian Martin / Billy Wilder
Love in the Afternoon
Ariane
de Billy Wilder
com Gary Cooper, Audrey Hepburn, Maurice Chevalier
Estados Unidos, 1957 - 130 min
legendado eletronicamente em português | M/12
SESSÃO-CONFERÊNCIA POR ADRIAN MARTIN
Uma comédia romântica, de coração doce mas cheia do poder sugestivo sem que não seria bem um filme de Billy Wilder – nem digno de uma inspiração lubitschiana, sendo mais ou menos um ponto assente que LOVE IN THE AFTERNOON é a mais explícita homenagem de Wilder ao seu mestre. História da relação entre um milionário cinquentão (Cooper) e uma rapariga muito mais nova (Hepburn), foi um relativo fracasso comercial, talvez porque não se lhe tenha visto a mordacidade esperada num filme de Wilder. Mas envelheceu muito bem e é um dos seus filmes mais – digamos – “sérios” e calorosos. A exibir em cópia digital.
 
20/05/2026, 18h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Histórias do Cinema: Adrian Martin / Billy Wilder
The Apartment
O Apartamento
de Billy Wilder
com Jack Lemmon, Shirley MacLaine, Fred MacMurray
Estados Unidos, 1960 - 124 min
legendado em português | M/12
SESSÃO-CONFERÊNCIA POR ADRIAN MARTIN
Cinco Oscares para esta obra-prima de Billy Wilder, a quem couberam três estatuetas (produtor, realizador e argumentista), que mistura em doses perfeitas a comédia e o drama, a pureza e o cinismo. Jack Lemmon é um empregado de escritório que procura subir na hierarquia, cedendo o seu apartamento para as aventuras extraconjugais dos administradores (uma das mulheres é “igualzinha a Marilyn Monroe”, segundo o colega de Lemmon, numa pequena vingança de Wilder com a vedeta, que tivera um comportamento de… vedeta em SOME LIKE IT HOT). Até que se apaixona por uma dessas conquistas: Shirley MacLaine. A exibir em cópia 35mm.
 
21/05/2026, 18h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Histórias do Cinema: Adrian Martin / Billy Wilder
Avanti!
Amor à Italiana
de Billy Wilder
com Jack Lemmon, Juliet Mills, Clive Revill, Edward Andrews
Estados Unidos, 1972 - 144 min
legendado em castelhano e eletronicamente em português | M/12
SESSÃO-CONFERÊNCIA POR ADRIAN MARTIN
Realizado na Europa por Billy Wilder, AVANTI! é o filme em que o realizador se dedica a filmar a ideia do “dolce fare niente” italiano, tutelada pela sombra da morte, com o sol de verão a acalorar os ânimos: convocado pela morte repentina do pai milionário, Jack Lemmon vê-se de súbito em Itália e a braços com a descoberta de que o pai tinha uma amante italiana, junto de quem passava um mês de férias anual e junto de quem morreu, e que esta tem uma filha que pretende que o casal seja enterrado junto nesse país. Daí, até que a moral da história se volva numa história de repetição, vai um dos filmes mais divertidos de Wilder. Não é, no entanto, dos mais conhecidos. A exibir em cópia 35mm.
 
22/05/2026, 18h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Histórias do Cinema: Adrian Martin / Billy Wilder
Fedora
O Segredo de Fedora
de Billy Wilder
com William Holden, Marthe Keller, Hildegard Kneff, Henry Fonda, Michael York
Alemanha, França, 1978 - 114 min
legendado em castelhano e eletronicamente em português | M/12
SESSÃO-CONFERÊNCIA POR ADRIAN MARTIN
A fascinante história de uma atriz que, quando envelhece, se retira para uma ilha grega e se faz substituir pela filha num comeback, transmitindo desta forma terrível a ilusão de uma juventude “eterna”. A realidade contaminada pelo poder do cinema. Billy Wilder visita as ilhas gregas, no penúltimo filme da sua carreira, que é também uma revisitação ao mundo de SUNSET BOULEVARD. “Who shows hope in the flesh reaps bones”, como alguém escreveu sobre a inútil veneração da juventude e da beleza. Um filme relevante para tempos narcisistas. A exibir em cópia 35mm.