06/08/2024, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Um filme que causou polémica à época, sobretudo nos meios muçulmanos, o que serviu de pretexto para a sua proibição no Senegal (além de um suposto erro de ortografia na palavra “ceddo”, que se escreveria com um só d…). O filme irritou profundamente os críticos e cineastas árabes, pois Sembène equipara a chegada do Islão a África a uma forma de colonialismo, comparável ao europeu (no filme, uma das crianças negras convertida, à revelia, ao Islão recebe o nome de Ousmane…). Quando o rei dos Ceddo parte para a guerra, um sacerdote muçulmano converte à força toda a sua tribo, exceto a filha do rei e o homem que a raptou, à guisa de protesto. Apesar da vitória do Islão, a filha do rei terá um combate singular com o sacerdote muçulmano, numa das cenas mais fortes e mais despojadas do cinema de Ousmane Sembène. Em vez de realizar um “épico”, um filme repleto de batalhas e figurantes, o realizador senegalês preferiu uma mise en scène reduzida, que tem algo de brechtiano, pois apresenta um caso exemplar.
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