Mais um mês, mais paragens fundamentais nesta viagem até ao tempo em que o cinema era a “arte do silêncio”. Em março, exploram-se temas como a obsessão e o desejo através de uma expressividade da mise-en-scène que sublinha o poder dos filmes mudos pela forma como provocam emoções e tornam explícitas as suas mensagens. Da dolorosa reencenação de THE LAST COMMAND, de Josef von Sternberg, escapamos até ao mundo brutal de BROKEN BLOSSOMS, de D.W. Griffith, dando à costa luxuosa, mas destrutiva, de NANA, de Jean Renoir.
Partimos à aventura às ordens de um general protagonizado por Emil Jannings em THE LAST COMMAND. Uma das mais célebres obras mudas de Josef von Sternberg, contém uma faceta metatextual, onde a personagem de Jannings é um figurante que participa numa produção de Hollywood (William Powell protagoniza o realizador) que retrata a bem real revolução bolchevique que lhe custou o seu grande amor. Daniel Schvetz cria a atmosfera musical, numa sessão que decorre este sábado, dia 7, às 18h.
O devastador BROKEN BLOSSOMS de Griffith (BIRTH OF A NATION, INTOLERANCE) é também considerado como a primeira história de amor inter-racial do cinema. Aqui, relata o encontro inusitado de uma menina inglesa maltratada com um budista chinês, num retrato provocador à época. Nos papéis principais, Lillian Gish e Richard Barthelmess são sublimemente fotografados por Hendrik Sartov. É exibido dia 12, quinta-feira, às 19h, com Filipe Raposo encarregue das melodias da sessão.
Jean Renoir fez poucos filmes mudos e este será possivelmente um dos seus mais ambiciosos. Em NANA, o segundo da sua filmografia, o realizador traz ao grande ecrã o romance homónimo de Emile Zola numa adaptação desprendida. Influenciado pelo mestre do grotesco glorioso, Erich von Stroheim, esta acaba por ser a última colaboração com a primeira mulher, Catherine Hessling, que protagoniza uma mulher determinada a fazer tudo ao seu alcance que a permita subir na vida. Sempre com acompanhamento ao piano, a última sessão de março acontece no
dia 28, sábado, às 18h. O próximo mês, terá outro itinerário.
Em março, há também outras sessões que terão acompanhamento musical.
A Cinemateca Júnior exibe, em
colaboração com o Festival Monstra, DIE ABENTEUER DES PRINZEN ACHMED (
As Aventuras do Príncipe Achmed), que terá ao piano
Catherine Morisseau,
dia 21, sábado, às 15h. Finalmente, no âmbito do
ciclo A Casa, Filipe Raposo está a cargo das notas que adornam a sessão de
dia 27, sexta-feira, às 19h, de DOM NA TRUBBNOI (“
A Casa na Praça Trubnaia”), de Boris Barnet.
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Ciclo Viagem a Fim do Mudo aqui.