O mês de abril providencia uma epopeia europeia: das ruas amargas da Viena de DIE FREUDLOSE GASSE (Rua Sem Sol), de G. W. Pabst, até a uma mansão alemã vista pelos olhos de Arthur Robison, em SCHATTEN (Sombras), passando ainda pelos arredores parisienses da L’INHUMAINE (A Desumana), de Marcel L’Herbier.
Um filme que sofreu múltiplos golpes de censura à época, DIE FREUDLOSE GASSE, o último filme europeu de Greta Garbo (que cintila, mesmo que as estrelas protagonistas sejam Werner Krauss e Asta Nielsen), é uma exploração do rescaldo da Primeira Guerra Mundial, que revela o que de pior (e mais oportunista) brotou nesse tempo. Esta sessão ocorre dia 11 de abril, sábado, às 18h, e com acompanhamento ao piano por Daniel Schvetz.
O sombrio
SCHATTEN é o culminar da integração das
artes da vanguarda dos anos 1920 com o expressionismo alemão. Robison desafia-se a fazer um
Kammerspielfilm: poucos atores num único cenário, num drama de alcova que se desenrola sem intertítulos e em torno de um jantar onde estão presentes os pretendentes a amantes da bela mulher de um conde abastado. A trama é ornamentada pelas
mãos ao piano de João Paulo Esteves da Silva, numa exibição que acontece
dia 16 de abril, quinta-feira, às 19h.
L’INHUMAINE de L’Herbier termina o percurso deste mês com uma deambulação pelo mundo da ficção científica, onde festas faustosas e mordidelas de cobra são o gatilho que propulsiona a história. A ambição do realizador era sintetizar neste filme todas as outras artes, pelo que a produção incluiu talentos como os do pintor Fernand Léger, do arquiteto Robert Mallet-Stevens ou, até, do joalheiro-artista René Lalique. O filme é exibido
dia 29 de abril, quarta-feira, às 21h30, com
meditações musicais de Filipe Raposo.
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