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Assunto: Programação
Data: 17/11/2025
Dezembro de Ghatak a Wellman
Dezembro de Ghatak a Wellman
O ano na Barata Salgueiro termina com mais uma grande retrospetiva de autor. No mês em que continuamos a percorrer os trilhos do cinema de William A. Wellman, na segunda de três partes da retrospetiva dedicada ao realizador de WINGS, o outro grande destaque da programação está reservado para um dos mestres do cinema indiano: Ritwik Ghatak. Em dezembro haverá ainda mais três escalas na Viagem ao Fim do Mudo, muito cinema português, com foco na celebração dos 90 anos de Paulo Rocha e Fernando Lopes, damos um pulo ao Salão Piolho para ver filmes da pioneira Alice Guy-Blaché e prestamos homenagem a Hartmut Bitomsky, recentemente falecido, com a exibição de uma nova cópia de DER VW-KOMPLEX, numa sessão especial, apresentada e comentada por Billy Woodberry, grande conhecedor da sua obra.
 
Dezembro arranca com uma retrospetiva da obra de Ritwik Ghatak (1925-1976), um dos maiores nomes do cinema indiano do pós-Segunda Guerra e autor de oito brilhantes longas-metragens, das quais mostraremos sete neste final do ano em que se celebra o centenário do seu nascimento. Será exibida ainda parte das curtas e dos documentários que realizou, filmes muito raros, que revelaremos agora. Cineasta com uma obra revolucionária do ponto de vista estético e uma influência determinante no moderno cinema indiano, esta tem também um cunho eminentemente político, refletindo muito particularmente sobre a partição de Bengala em 1947, uma questão que atravessa tanto a sua prática cinematográfica como a obra escrita. Mas o que fica na nossa memória são algumas das suas mais sublimes personagens e alguns dos mais inesquecíveis planos da História do Cinema. Pensamos em Neeta, a protagonista de MEGHE DHAKA TARA / “A ESTRELA ESCONDIDA”, que João Bénard da Costa aproximou às mais belas personagens de Bresson ou de Dreyer.
 
A irreverência de “Wild Bill” Wellman continua a ser projetada em dezembro, propondo a redescoberta da obra do cineasta que assentou em Hollywood entre os anos 1920 e o final da década de 1950. Neste segundo momento da retrospetiva iniciada em novembro, e que se estende a janeiro, são apresentados vinte quatro títulos das várias épocas, géneros e registos da filmografia de Wellman, dos iniciais THE BOOB e YOU NEVER KNOW WOMEN, ainda do período mudo (a exibir com acompanhamento ao piano), passando por títulos fundamentais como THE CALL OF THE WILD, BEAU GESTE ou YELLOW SKY. Três das suas obras-primas (THE OX-BOW INCIDENT, GOOD-BYE, MY LADY e, em janeiro, TRACK OF THE CAT) são apresentadas em projeções especiais, que contam com conversas finais com Billy Woodberry, Boris Nelepo e Vasco Câmara. O programa completo incluindo a terceira parte de janeiro poderá ser consultado aqui.
 
No que ao cinema português diz respeito, dezembro vai ser um mês forte, a começar pela evocação de Paulo Rocha e Fernando Lopes. No ano em que comemorariam 90 anos, esta espécie de gémeos diferentes (assim apelidados na retrospetiva conjunta que a Cinemateca lhes dedicou em 2014), serão exibidos dois dos seus filmes: o derradeiro SE EU FOSSE LADRÃO…ROUBAVA do primeiro e O FIO DO HORIZONTE do segundo. Haverá também ante-estreias, com os novos filmes de Catarina Alves Costa (ORLANDO PANTERA), Sérgio Taborda (SEQUÊNCIAS 21-22) e filmes de escola de alunos da Universidade Lusófona, e a sessão de atribuição do Prémio Bárbara Virgínia pela Academia Portuguesa de Cinema a Inês Carvalho, a primeira mulher portuguesa a assinar a fotografia de uma longa-metragem em Portugal.
 
Por fim, o cinema mudo com acompanhamento ao piano vai ser outro dos grandes protagonistas do mês. Além de novo trio de filmes do Ciclo Viagem ao Fim do Mudo (dezembro pertencerá a Pudovkine, Hitchcock e Lubitsch) e das já referidas sessões da retrospetiva William A. Wellman, assinale-se nova colaboração com a Fundação Inatel no programa Salão Piolho. Este ano a proposta é uma sessão de curtas da pioneira Alice Guy-Blaché com acompanhamento ao vivo pela pianista e compositora Inês Condeço.