Christa Blümlinger estará presente na Cinemateca Portuguesa, de 13 a 17 de abril, para apresentar o ciclo “Histórias do Cinema” dedicado ao realizador Harun Farocki.
A professora, investigadora e crítica de cinema, que já havia estado na Cinemateca em 2018, tendo à época apresentado ARBEITER VERLASSEN DIE FABRIK / “Operários ao Sair da Fábrica”, selecionou para estas “Histórias do Cinema” um conjunto significativo de obras do cineasta, algumas que serão apresentadas pela primeira vez na Cinemateca, neste que será o maior ciclo maior dedicado a Farocki desde 1990.
O interesse de Christa Blümlinger na obra multimediática de Farocki e a relação estreita que com ele desenvolveu resultaram na publicação de vários textos críticos, ensaios académicos e livros, entre eles, e sob a forma de um diálogo e de um dicionário, The ABCs of The Essay Film, mas também, em nome individual, Harun Farocki: Du Cinéma au Musée.
Em sintonia com o cinema de Jean-Luc Godard e do compatriota Alexander Kluge, Harun Farocki ativou das mais diversas maneiras a capacidade, própria do cinema de natureza documental ou ensaística, de pensar e dar a pensar o mundo que nos rodeia. Na senda dos grandes pensadores da teoria crítica alemã, de Siegfried Kracauer a Theodor Adorno, Farocki foi um ensaísta que recorreu a uma singular “caméra-stylo” para escalpelizar o trabalho dos media, dos filmes e das máquinas da visão, e para estudar os artesãos, os operários e o mundo comercial.
À análise crítica das imagens associa-se um pensamento vivo sobre “o estado do mundo”, sendo também, por isso, Farocki um dos grandes pensadores – um rigoroso montador e desmontador – dos mecanismos da guerra e das diferentes manifestações do sistema capitalista global a ser descoberto e encarado na sala escura neste mês de abril.