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Double Bill


O programa Double Bill de abril (dois filmes, uma sessão, um bilhete único) propõe rimas evidentes entre filmes que “chamam” outros filmes, cada um a seu modo: antes de GERTRUD, o último Dreyer, SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, o primeiro César Monteiro, a ele dedicado; o filme em que Clint Eastwood recria o momento da rodagem da obra que John Huston filmou em África, concentrando-se na personagem do realizador e na obsessão africana que o move emparelha com a obra que o motiva (WHITE HUNTER, BLACK HEART e THE AFRICAN QUEEN); FRANKENSTEIN, de James Whale, regressa em EL ESPIRITU DE LA COLMENA, de Victor Erice; ONLY ANGELS HAVE WINGS, de Hawks, é projetado antes de ADIEU AU LANGAGE, de Godard, cujo primeiro plano é o da despedida de Ginger Rogers a Cary Grant na Barranca imaginada por Hawks.
 
 
01/04/2017, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Double Bill

Sophia de Mello Breyner Andresen | Gertrud
duração total da projeção: 133 min | M/12
 
08/04/2017, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Double Bill

White Hunter, Black Heart | The African Queen
duração total da projeção: 215 min | M/12
22/04/2017, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Double Bill

Frankenstein | El Espiritu de la Colmena
duração total da projeção: 165 min | M/12
29/04/2017, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Double Bill

Only Angels Have Wings | Adieu au Langage
duração total da projeção: 190 min | M/12
01/04/2017, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Double Bill
Sophia de Mello Breyner Andresen | Gertrud
duração total da projeção: 133 min | M/12
A projeção dos dois filmes decorre sem intervalo
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN
de João César Monteiro
Portugal, 1969 – 17 min
GERTRUD
Gertrud
de Carl Th. Dreyer
com Nina Pens Rode, Bendt Rothe, Ebe Rode, Baard Owe, Axel Strobye
Dinamarca, 1964 – 116 min / legendado eletronicamente em português

A primeira curta-metragem de João César Monteiro, logo reveladora da originalidade do realizador, que a dedica a Carl Th. Dreyer (“bastaria que Dreyer tivesse realizado GERTRUD”, disse a quem quis saber porquê): SOPHIA, muito marítimo e muito mediterrânico, supunha ele que fosse antes de mais “a prova, para quem a quiser entender, que a poesia não é filmável e não adianta persegui-la”. Gertrud assume a “total solidão em nome do amor”. O último filme de Dreyer, em que o cinema (como essa mulher, Gertrud), de forma única e irrepetível parece paralisar, cristalizar, deixando no interior das suas imagens todo o movimento, a força e o fogo da palavra. Um filme tão absoluto que só apetece dizer: “este sim, é o mais belo filme de todos os tempos”.
 
08/04/2017, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Double Bill
White Hunter, Black Heart | The African Queen
duração total da projeção: 215 min | M/12
Entre a projeção dos dois filmes há um intervalo de 30 minutos
WHITE HUNTER, BLACK HEART
Caçador Branco, Coração Negro
de Clint Eastwood
com Clint Eastwood, Jeff Fahey, Charlotte Cornwell, Norman Lumsden
Estados Unidos, 1990 – 110 min / legendado eletronicamente em português
THE AFRICAN QUEEN 
A Rainha Africana
de John Huston
com Katharine Hepburn, Humphrey Bogart, Robert Morley
Estados Unidos, 1952 – 105 min / legendado em espanhol

Adaptação do romance de 1953 de Peter Virtel, baseado na sua experiência como argumentista de John Huston em THE AFRICAN QUEEN. Clint Eastwood surge no papel (ficcionado) de Huston como John Wilson, obcecado por caçar um elefante durante a rodagem de um filme que está a realizar em África. Pouco estimado quando estreou, WHITE HUNTER, BLACK HEART conta-se entre os projetos de fôlego mais pessoal de Eastwood. Com Bogart (Charlie Allnutt, barqueiro solitário e bebedor) e Hepburn (Rosie Sayer, recatada e solteirona missionária britânica) quase como personagens únicas, THE AFRICAN QUEEN é um dos mais famosos filmes de Huston. Escrito por Huston com James Agee a partir do romance de C.S. Forester, é um filme africano, também famoso pela sua épica rodagem “on location”, ambientado na Primeira Guerra e quase exclusivamente centrado na viagem por rio dos dois protagonistas numa pequena embarcação com a qual pretendem fazer explodir um bombardeiro alemão. Aventuroso e romanesco, THE AFRICAN QUEEN é simultaneamente um filme de ação e um filme de câmara.
 
22/04/2017, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Double Bill
Frankenstein | El Espiritu de la Colmena
duração total da projeção: 165 min | M/12
Entre a projeção dos dois filmes há um intervalo de 30 minutos
FRANKENSTEIN
Frankenstein
de James Whale
com Boris Karloff, Colin Clive, Mae Clarke, John Boles, Edward Van Sloan
Estados Unidos, 1930 – 70 min / legendado em português
EL ESPIRITU DE LA COLMENA
O Espírito da Colmeia
de Victor Erice
com Ana Torrent, Isabel Tellaria, Fernando Fernan Gomez
Espanha, 1973 – 95 min / legendado eletronicamente em português

FRANKENSTEIN é um dos mais lendários filmes de terror da História do cinema, podendo dizer-se que, como DRACULA, fundou o género nos estúdios da Universal. Boris Karloff interpreta de maneira inesquecível a figura do monstro, que acaba por receber o nome do seu criador e conquistar a imortalidade, tal como a obra literária em que se inspira, o romance de Mary Shelley. Este FRANKEISTEIN não envelheceu de todo e continua a ser uma maravilha poética. O ESPÍRITO DA COLMEIA é um dos melhores filmes espanhóis de sempre, construído à volta do mito de Frankenstein, recriado no espírito de uma criança depois de ver o filme de James Whale num cinema ambulante. O filme de Victor Erice desenvolve se na atmosfera deprimente e opressiva da província espanhola nos anos que se seguiram ao fim da Guerra Civil e ao mesmo tempo num clima algo irreal.
 
29/04/2017, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Double Bill
Only Angels Have Wings | Adieu au Langage
duração total da projeção: 190 min | M/12
Entre a projeção dos dois filmes há um intervalo de 30 minutos
ONLY ANGELS HAVE WINGS
Paraíso Infernal
de Howard Hawks
com Cary Grant, Jean Arthur, Richard Barthelmess, Thomas Mitchell, Rita Hayworth
Estados Unidos, 1939 – 120 min / legendado em francês e eletronicamente em português
ADIEU AU LANGAGE
Adeus à Linguagem
de Jean-Luc Godard
com Héloise Godet, Kamel Abdeli, Richard Chevallier
França, 2014 – 70 min / legendado em português

Howard Hawks realizou obras-primas em quase todos os géneros do cinema de Hollywood (musicais, comédias, westerns, filmes “negros”) e também em filmes de aviação, de que ONLY ANGELS HAVE WINGS é exemplo. Protagonista do filme, Cary Grant, explicava assim o segredo da sua atração: “I play myself”. Em ONLY ANGELS HAVE WINGS, ele é o homem que nunca tem lume e atira sempre uma moeda (sem coroa) ao ar perante uma dúvida. A quintessência do cinema de Howard Hawks: um filme de aviadores, de sacrifício por amor e de heróis suicidários. Um dos mais belos filmes do mundo. Godard sobre ADIEU AU LANGAGE: "A ideia é simples: uma mulher casada e um homem solteiro encontram-se. Amam-se, discutem, separam-se. Um cão erra entre a cidade e o campo. As estações passam. O homem e a mulher encontram-se outra vez. O cão entre eles. O outro é um. Um é o outro. São três." No fim da longa-metragem em que Godard (re)inventa o 3D segundo as contemporâneas possibilidades tecnológicas digitais, um filme “do fim de tudo”, é o cão que fica, talvez, “a sonhar com as ilhas Marquesas”. ADIEU AU LANGAGE é apresentado na versão 3D.