CICLO
Filmes de João Penalva


Em colaboração com a Culturgest e com as Galerias Municipais de Lisboa
A Cinemateca regressa ao cinema de João Penalva, apresentando cinco vídeos que o artista realizou entre 1998 e 2007. São trabalhos já projetados na Cinemateca há vários anos, que voltamos agora a exibir por ocasião de uma ampla apresentação do trabalho de Penalva em Lisboa, que envolve duas exposições que comemoram os cinquenta anos de atividade do artista: a exposição Personagens e Intérpretes, apresentada na Culturgest, em que se reúnem algumas das suas mais importantes peças e instalações, e a exposição A Colecção Ormsson, patente no Pavilhão Branco, numa reposição de um projeto originalmente aí mostrado em 1997.
Iniciando o seu percurso na dança contemporânea, João Penalva (Lisboa, 1949) fixou-se em Londres em meados dos anos 1970, cidade onde enveredou então pelas artes visuais. Depois de vários anos em que se dedicou à pintura, expandiu a sua prática em trabalhos que recorriam a materiais e linguagens diversas, explorando o vídeo, a instalação, a fotografia, a música e a performance, dando particular destaque às relações entre a imagem, o texto, e a linguagem. A par de outras características, o impulso pela narrativa estará muito presente na sua vasta e multifacetada obra, espelhando-se também nos seus filmes. Na Cinemateca apresentamos um programa duplo, que replica um outro de 2008 (“João Penalva: Vídeos 1998-2007”), na altura organizado em colaboração com o Festival Internacional de Curtas-Metragens de Vila do Conde, no contexto da apresentação da sua instalação “TD Transmissão Directa” na Solar-Galeria de Arte Cinemática. São cinco filmes que, na sua original dimensão narrativa, tiram todo o partido da correlação e da expansão da imagem e do som na duração.
 
 
08/06/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Filmes de João Penalva

KITSUNE + A HARANGOZÓ
O Espírito da Raposa + O Sineiro
 
09/06/2026, 18h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Filmes de João Penalva

336 PEK + THE ROAR OF LIONS + THE WHITE NIGHTINGALE
336 Rios + O Rugir de Leões + O Rouxinol Branco
08/06/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Filmes de João Penalva
KITSUNE + A HARANGOZÓ
O Espírito da Raposa + O Sineiro
com a presença de João Penalva
KITSUNE
O Espírito da Raposa
de João Penalva
Reino Unido, 2001 – 55 min

A HARANGOZÓ
O Sineiro
de João Penalva
Reino Unido, 2005 – 58 min

duração total da projeção: 113 minutos/ legendados em português | M/12

KITSUNE e O SINEIRO partilham uma mesma estrutura assente na complexidade da relação entre uma banda de imagem composta por paisagens distintas, e uma banda de som, que com elas se cruza, características que se estenderão a outros filmes de João Penalva. Filmado na ilha da Madeira – onde foi originalmente apresentado no âmbito de uma exposição da Galeria Porta33 –, com ressonâncias de filme japonês e dando a voz a memórias de lendas de espíritos de raposas, KITSUNE “é uma meditação sobre o olhar; o que se vê, e o que não se vê, e o lugar da imaginação”. O SINEIRO parte das páginas de Der Erwählte (O Eleito) de Thomas Mann, encenando imagens sobrepostas do plano fixo de um rio que atravessa uma cidade e o texto, dito por um contador de histórias em húngaro. 

Consulte a FOLHA DA CINEMATECA aqui
 
09/06/2026, 18h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Filmes de João Penalva
336 PEK + THE ROAR OF LIONS + THE WHITE NIGHTINGALE
336 Rios + O Rugir de Leões + O Rouxinol Branco
com a presença de João Penalva
336 PEK
336 Rios
Reino Unido, 1998 – 60 min

THE ROAR OF LIONS
O Rugir de Leões
Alemanha, 2007 – 37 min

THE WHITE NIGHTINGALE
O Rouxinol Branco
Reino Unido, 2005 – 42 min

de João Penalva
duração total da projeção: 139 minutos / legendados em português | M/12

336 RIOS é o trabalho cronologicamente mais antigo dos aqui apresentados: em redor do Lago Baikal e de um outro lugar dele distante, acompanhamos “o monólogo em russo de um montador de cinema que conta a sua história, no cinema e na vida, nas suas muitas versões”. Os mecanismos da memória são confrontados com o trabalho da imaginação. Encomendado por ocasião da Berlinale 2007,
O RUGIR DE LEÕES foi filmado durante o Inverno de 2005 no lago gelado da floresta de Grunewald próxima de Berlim, pondo em diálogo imagens de registo documental e a visualização de lugares, pessoas e sons através da voz do narrador: “A nossa mente será habitada por mundos paralelos?”. Há o mundo da imagem, com as suas subtis variações cromáticas, e o mundo aberto pelo comentário em off. O ROUXINOL BRANCO tem também uma inegável dimensão narrativa, que advém do confronto das imagens com uma “fábula” escrita por Penalva para as acompanhar. Encomenda da Picture This (Bristol), a sua linguagem cinematográfica já foi descrita como situando-se “entre a do filme mudo (com a inclusão de intertítulos) e a do documentário aquático com longos planos das águas do rio Avon, em Bristol, mas ambas estarão pouco à vontade com a extensão do tempo a que são sujeitas”. 

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