16/04/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Em SCHATTEN, como observou Georges Sadoul, “misturam-se o teatro, o Kammerspiel e o Expressionismo”, ou seja, algumas das principais tendências do cinema alemão dos anos vinte do século XX, decididamente ligado às artes da vanguarda, mesmo em filmes destinados ao grande público. Como tantas vezes sucede em “filmes Kammerspiel”, não há intertítulos e a ação é contínua, concentrada num cenário único e numa única noite. Esta tem lugar durante um jantar oferecido por um aristocrata e a sua mulher, na presença de quatro pretendentes dela. Um “mostrador de sombras” fá-los ver o que pode acontecer se os pretendentes não deixarem de cortejar a mulher, confrontando-os por hipnose com os seus sentimentos mais calados. A digressão entre realidade e ilusão do portentoso chiaroscuro de SCHATTEN parte assim da encenação de uma projeção, em que a intimidade dos sentimentos convive com a pulsão erótica mas também com a sinalização da luta de classes de que a casa é palco.
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