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Histórias do Cinema : Christa Blümlinger / Harun Farocki
Em janeiro regressa a rubrica Histórias do Cinema com Christa Blümlinger, a reconhecida historiadora de cinema, que entre dias 12 e 16 apresentará um conjunto de sessões-conferência com filmes do cineasta e artista Harun Farocki (1944-2014) por si escolhidos, programadas segundo uma organização que concebeu para abordar a obra de um realizador que dedicou parte das sua obra a uma crítica da história dos media e das imagens, que trabalhou através de documentários que assumiram frequentemente a forma de filmes-ensaio, ou de instalações, pensadas para contextos expositivos.
Como é habitual, a rubrica propõe, de um lado, um investigador ou especialista em cinema; de outro, um autor ou um tema histórico abordado pelo primeiro ao longo de cinco finais de tarde e em torno de cinco sessões, cujas projeções são antecedidas e sucedidas de apresentações e conversas sobre o autor ou o tema em causa, numa sequência de encontros pensados como experiência cumulativa.
Blümlinger, que tem escrito regularmente sobre a obra de Farocki, regressa assim à Cinemateca depois de em 2018 ter participado num encontro em que se exibiu ARBEITER VERLASSEN DIE FABRIK, sendo esta a mais completa mostra da obra na Cinemateca de Farocki, depois de um ciclo que lhe foi dedicado em 1990.
Como escreveu Christa Blümlinger sobre Harun Farocki na altura da sua morte (“L’éclaireur des images”,
Cahiers du Cinéma
, setembro 2014): “Farocki estava tão preocupado com os
slogans
, a imagem das marcas e a cultura visual da nossa época, como com o desaparecimento do trabalho na sociedade pós-industrial. O grande documentarista alemão abordou majestosamente este último ponto, que foi sempre central na sua obra, dos ensaios cinematográficos, aos documentários ‘diretos’ (sobre as várias formas de fabricar tijolos ou sobre a criação de maquetes arquitetónicas). Sempre apreciou o que Kracauer, na década de 1920, chamou de ‘culto da distração’. Nas suas explorações audiovisuais dos mundos antigo e novo das imagens, Farocki desenterrou momentos de iluminação, sem nunca ser condescendente. Dos arquivos do presente, procurou trazer à luz um potencial para a reflexão. (…) Adorava dissecar o trabalho dos media, dos filmes e das máquinas da visão, e estudar os artesãos, os operários e o mundo comercial. Desde a década de 1960, e ao longo da sua vida como cineasta, ensaísta e artista, analisou os aparatos da fotografia e das imagens pós-fotográficas, os seus regimes de afeto e significação.”
Christa Blümlinger é investigadora professora na Universidade Paris 8, é também escritora, crítica e curadora, e tem publicado em revistas como a
Trafic
,
Cargo, Concreta, Comparative Cinema
e
Radical Philosophy
, debruçando-se sobre áreas como o documentário e a vanguarda alemã e austríaca. Tem escrito regularmente sobre a obra de Harun Farocki, e dos diálogos estabelecidos entre ambos em 2013/14 resultou
The ABCs of The Essay Film
. Em 2022 publicou
Harun Farocki: Du Cinéma au Musée
(2022) e em 2002 havia já editado
Harun Farocki. Reconnaître et poursuivre,
uma seleção de textos por si estabelecida e introduzida. Entre os seus livros mais recentes estão
Horizontes
documentales
.
Escritos selectos sobre cine
(La Fuga/ Ediciones Metales Pesados, 2025)
, Teri Wehn Damisch
, Transatlantic Passages Between the Arts (Harun Farocki Institut, 2025),
Trafic, Almanach de cinéma
(que co-editou com Raymond Bellour, Bernard Benoliel, Jean-Paul Fargier e Judith Revault d’Allonnes, 2023),
Morgan Fisher, Off screen cinema
(monografia que co-dirigiu, 2017), e a edição dos escritos de Serge Daney em alemão (2000).
Não existem filmes para o ciclo selecionado
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