CICLO
Viagem Ao Fim Do Mudo


Na Viagem ao Fim do Mudo de Dezembro visitamos três polos cruciais do cinema dos anos 20. Dos estúdios soviéticos, um dos mais fragorosos exemplos do cinema da Revolução, MAT, de Vsevolod Pudovkin. Foi também um filme famosíssimo e celebrado durante décadas até ter caído um pouco no esquecimento, como aliás sucedeu a Pudovkin, que hoje é moeda muito menos corrente do que já foi – redescobri-lo é, portanto, imperativo. No mesmo ano, em Hollywood, um emigrado alemão, Ernst Lubitsch, encenava a sua alma gémea, Oscar Wilde, com todo luxo e todos os recursos da grande produção hollywoodiana: LADY WINDERMERE’S FAN deve ser a melhor adaptação cinematográfica do espírito de Wilde, para além de ser um dos mais divertidos e inventivos filmes alguma vez feitos. O terceiro filme leva-nos aos estúdios londrinos onde o jovem Hitchcock começava a esculpir a fama que o tornaria no mais célebre realizador de todos os tempos. THE RING, filme “de juventude” que como toda a obra muda de Hitch vive na sombra de THE LODGER, é porventura ainda mais “hitchcockiano” do que esse e, como muitos consideraram (Truffaut, por exemplo), o momento em que a arquitectura visual do cineasta se começa a revelar, num esplendor que anuncia futuros esplendores.
 
12/12/2025, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Viagem Ao Fim Do Mudo

The Ring
de Alfred Hitchcock
Reino Unido, 1927 - 108 min
 
22/12/2025, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Viagem Ao Fim Do Mudo

Mat
A Mãe
de Vsevolod Pudovkine
URSS, 1925 - 87 min
30/12/2025, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Viagem Ao Fim Do Mudo

Lady Windermere's Fan
O Leque de Lady Margarida
de Ernst Lubitsch
Estados Unidos, 1925 - 91 min
12/12/2025, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Viagem Ao Fim Do Mudo
The Ring
de Alfred Hitchcock
com Carl Brisson, Lillian Hall-Davis, Ian Hunter
Reino Unido, 1927 - 108 min
mudo, intertítulos em inglês legendados eletronicamente em
COM ACOMPANHAMENTO AO PIANO POR DANIEL SCHVETZ
Quarta longa-metragem realizada pelo jovem Alfred Hitchcock (no mesmo ano da sua primeira obra-prima, THE LODGER), THE RING é tido como o seu primeiro filme totalmente pessoal. Com um argumento escrito de raiz por ele próprio, inspirado no mundo dos combates de boxe a que costumava assistir em Londres, e concentrado num triângulo (dois pugilistas e uma rapariga) de relações ambiguíssimas, por ele perpassam muitas sombras temáticas a que Hitchcock voltaria recorrentemente, como a culpa, circular como um anel (como um “ring”: o título designa tanto o anel como o palco do boxe), e que encontra nessa imagem do anel o “leitmotiv” em torno do qual tudo gira. A invenção visual do filme e a ligação dessa invenção com as proezas técnicas são plenamente hitchcockianas.

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22/12/2025, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Viagem Ao Fim Do Mudo
Mat
A Mãe
de Vsevolod Pudovkine
com Vera Baranovskaia, Nikolai Batalov, Anna Zemcova
URSS, 1925 - 87 min
mudo, intertítulos em russo, legendados em português | M/12
COM ACOMPANHAMENTO AO PIANO POR FILIPE RAPOSO
Pertencendo à extraordinária primeira geração do cinema soviético (com Eisenstein, Vertov, Dovjenko, Kulechov), Vsevolod Pudovkine será lembrado para sempre por três filmes realizados nos anos vinte: A MÃE, O FIM DE SÃO PETERSBURGO e TEMPESTADE NA ÁSIA. Baseado em Gorki, realizado num estilo menos vanguardista do que o de Eisenstein, A MÃE é a história de uma tomada de consciência política. Um jovem operário revolucionário é preso e a mãe acaba por se unir à luta do filho. O desempenho excecional de Vera Baranovskaia no papel principal é um dos trunfos do filme e continua a entusiasmar os espectadores. Um dos raros filmes soviéticos à época distribuídos em Portugal, embora com muitos cortes.

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30/12/2025, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Viagem Ao Fim Do Mudo
Lady Windermere's Fan
O Leque de Lady Margarida
de Ernst Lubitsch
com May McAvoy, Irene Rich, Ronald Colman, Bert Lytell
Estados Unidos, 1925 - 91 min
mudo, intertítulos em inglês legendados eletronicamente em português | M/12
COM ACOMPANHAMENTO AO PIANO POR FILIPE RAPOSO
Um dos pontos culminantes dos anos vinte da obra americana de Lubitsch, LADY WINDERMERE’S FAN também é importante por marcar o encontro de duas almas, se não gémeas, pelo menos muito semelhantes: Oscar Wilde e Ernst Lubitsch, próximos no humor, na elegância, na discussão aberta (embora polida e indireta) do sexo. Lubitsch adaptou a peça de Wilde sem nada perder do espírito, mas não guardando nem um só dos seus inúmeros e divertidos epigramas. O uso do espaço neste filme em nada é inferior ao que Lubitsch faria de mais prodigioso no período sonoro.

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