CICLO
Bernardo Santareno e o Cinema


Nascido em Santarém no dia 19 de novembro de 1920, Bernardo Santareno (pseudónimo literário de António Martinho do Rosário) veio para Lisboa em 1939 frequentar os cursos preparatórios para a Faculdade de Medicina, na Universidade de Lisboa. Em 1945, transferiu-se para a Universidade de Coimbra, e aí se licenciou em medicina psiquiátrica, em 1950. Iniciou a sua carreira profissional como médico, entre 1957 e 1958, a bordo dos navios que acompanhavam as campanhas de pesca do bacalhau (experiência que mais tarde daria origem ao livro Nos Mares do Fim do Mundo), ao mesmo tempo que se estreava na literatura como poeta para depois se assumir sobretudo como dramaturgo. As suas primeiras obras teatrais surgiram em 1957, num volume editado pelo autor e que agrupava A Promessa, O Bailarino e A Excomungada. Depois surgem O Lugre e O Crime de Aldeia Velha, ambas de 1959; António Marinheiro ou o Édipo de Alfama, de 1960; Os Anjos e o Sangue, O Duelo e O Pecado de João Agonia, de 1961; e Anunciação, de 1962, todas elas, na descrição do crítico e realizador Lauro António, “integrando uma estética muito pessoal, que aliava um realismo de características sociais a uma imagética poética, escolhendo temas onde a natureza humana era escalpelizada nos seus contrastes mais gritantes, com a paisagem natural por cenário privilegiado, condicionando o drama e mesmo a tragédia a que a ação quase sempre conduz.”
O cinema português interessou-se pela obra de Santareno desde cedo – logo em 1964 Manuel Guimarães adapta O Crime da Aldeia Velha e, em 1973, a estreia a versão cinematográfica de António Macedo de A Promessa foi um dos sintomas da proximidade da mudança de regime em Portugal -, mas esse interesse pareceu esmorecer após o 25 de Abril e apenas a televisão lhe dedicou mais três adaptações de textos seus: Português, Escritor, 45 Anos de Idade, numa realização de Artur Ramos, em 1975, uma recriação de O Crime de Aldeia Velha, partindo de uma encenação de Carlos Avilez, em 1997, e, finalmente, em 1999, com a versão televisiva de VIDA BREVE EM TRÊS FOTOGRAFIAS, curta metragem dirigida por Fátima Ribeiro que adapta um dos textos curtos de Os Marginais e a Revolução (o seu último livro publicado em vida pois morreria em 1980). Já em ano de centenário do nascimento, a obra de Santareno volta a conhecer a atenção do cinema com a adaptação do livro O Lugre ao formato duplo de filme e de série de televisão com realização de Artur Ribeiro e de Joaquim Leitão, respetivamente. Na Cinemateca, o Ciclo dará a ver O CRIME DA ALDEIA VELHA, A PROMESSA e a curta televisiva VIDA BREVE EM TRÊS FOTOGRAFIAS.
Organizado em colaboração com as Comemorações Nacionais do Centenário de Bernardo Santareno, este programa deve a sua existência à atriz Fernanda Lapa, que dirigiu a iniciativa até à sua morte no passado mês de agosto.  É também à sua memória que ele é agora dedicado.
 
 
15/12/2020, 20h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Bernardo Santareno e o Cinema

Vida Breve em Três Fotografias | A Promessa
duração total da projeção 130 min | M/12
 
17/12/2020, 17h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Bernardo Santareno e o Cinema

O Crime de Aldeia Velha
de Manuel Guimarães
Portugal, 1964 - 115 min | M/12
15/12/2020, 20h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Bernardo Santareno e o Cinema

Em colaboração com as Comemorações Nacionais do Centenário de Bernardo Santareno
Vida Breve em Três Fotografias | A Promessa
duração total da projeção 130 min | M/12
Sessão com apresentação
VIDA BREVE EM TRÊS FOTOGRAFIAS
de Fátima Ribeiro
com Marco de Almeida, Bruno Santos, Carla Chambel, Fernando Heitor, Isabel de Castro
Portugal, 1998 - 36 min

A PROMESSA
de António de Macedo
com Guida Maria, Sinde Filipe, João Mota, Luís Santos
Portugal, 1972 - 94 min

A partir da obra teatral homónima de Bernardo Santareno e assentando num trabalho de investigação sociológica levado a cabo nas aldeias piscatórias em que decorre a ação, A PROMESSA é a história de um jovem casal de uma aldeia de pescadores profundamente religiosos que não consuma a sua união em cumprimento de um voto de castidade. Alvo de grande polémica na receção em Portugal, (foi a primeira obra portuguesa a mostrar dois corpos nus), A PROMESSA teve uma boa carreira e foi o primeiro filme português oficialmente selecionado para o Festival de Cannes. Episódio de uma série de televisão produzida pela David & Golias para a RTP, VIDA BREVE EM TRÊS FOTOGRAFIAS adapta um texto teatral do ciclo Os Marginais e a Revolução, de Bernardo Santareno.

 
17/12/2020, 17h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Bernardo Santareno e o Cinema

Em colaboração com as Comemorações Nacionais do Centenário de Bernardo Santareno
O Crime de Aldeia Velha
de Manuel Guimarães
com Barbara Laage, Rogério Paulo, Mário Pereira, Maria Olguim, Rui Gomes, Glicínia Quartin
Portugal, 1964 - 115 min | M/12
Primeira adaptação de uma peça de Bernardo Santareno ao cinema, por sua vez inspirada num facto verídico, ocorrido no norte do país em 1908. A história de uma mulher que se julga possessa e que é queimada numa fogueira pelo povo da aldeia como forma de exorcismo, depois de dois homens se terem suicidado por amor dela. Um requisitório contra a superstição num dos filmes mais interessantes de Manuel Guimarães que retoma o principal tema da obra de Santareno, “a luta pela dignificação do ser humano, pelos seus direitos essenciais, em confronto com preconceitos de todo o tipo, quer sejam sexuais, religiosos, económicos, raciais, políticos, sociais” (Lauro António).