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História Permanente do Cinema Português


Prosseguindo a evocação do nosso cinema dos anos quarenta, voltamos a Jorge Brum do Canto com um filme aqui não exibido na última década e que era já a sua quinta longa-metragem. UM HOMEM ÀS DIREITAS retomava a relação iniciada com o produtor César de Sá no filme anterior (FÁTIMA, TERRA DE FÉ) e terá sido à partida muito marcado por isso. Adaptado de uma peça de um autor espanhol, é um projeto de produtor em cujo argumento Brum do Canto não interveio (contrariamente ao que sucedeu sempre nos seus títulos mais conhecidos e reconhecidos), no qual não se terá nunca revisto e onde terá deixado sobretudo um mínimo de eficácia e um ou outro momento de maior investimento pessoal. Dito isso, se há aqui “pouco Brum do Canto”, e independentemente da questão da qualidade, haverá, pelo contrário, bastante dos nossos “forties” e das crescentes tendências e contradições do nosso cinema nesse período.
 
 
01/10/2019, 18h30 | Sala Luís de Pina
Ciclo História Permanente do Cinema Português

Um Homem às Direitas
de Jorge Bum do Canto
Portugal, 1944 - 100 min | M/12
 
01/10/2019, 18h30 | Sala Luís de Pina
História Permanente do Cinema Português
Um Homem às Direitas
de Jorge Bum do Canto
com Barreto Poeira, Julieta Castelo, Carmen Dolores, Maria Matos, Virgílio Teixeira, Milita Meireles
Portugal, 1944 - 100 min | M/12
História de um conflito familiar opondo os valores do trabalho, da honra e da honestidade burguesas à dissolução de uma aristocracia empobrecida, UM HOMEM ÀS DIREITAS – pelo seu enredo e mais ainda pelo seu tom – faz parte das incursões de Brum do Canto num terreno melodramático que não era o seu mundo e onde de facto não se encontrou. Mas este projeto pesadamente “sério” e quase sempre retórico, que é também veículo de uma óbvia parábola sociopolítica sobre as vantagens da colaboração entre diferentes meios e classes sociais, terá ido justamente ao encontro do que era cada vez mais solicitado pelo poder ao cinema português, não sendo nada despiciendo o facto de lhe ter sido dado o grande prémio do SNI. Mais do que elo relevante de uma obra, o filme poderá então ser lido como sintoma de um contexto, a saber, das condicionantes, das pressões e dos equilíbrios que se iam estabelecendo na nossa produção cinematográfica numa década que foi ainda palco de alguma diversidade de caminhos antes de uma outra cada vez mais desprovida dela. Para além desse retrato sintomático (e para além da já evocada eficácia, quase sempre entendida como solidez técnica), vale a pena chamar a atenção para a cena inicial da noite de carnaval no casino, onde Milita Meireles – atriz com presença fugaz do nosso cinema dessa década – deixou uma marca evidente, notada à época e lembrada depois (na folha de sala de 1983, Luís de Pina escreveu que a cena “não só a revela como uma das nossas melhores atrizes de cinema de sempre, completamente filmogénica, maliciosa, atenta, natural, espontânea, feminina, tão deliciosamente “ingénua” no estilo de Ginger Rogers, por exemplo, como foi dirigida com mão de mestre pelo realizador”).