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História Permanente do Cinema Português


Sempre assumindo a disponibilidade para outras incursões (nomeadamente as que são motivadas por circunstâncias mais pontuais), retomamos agora nesta rubrica a revisitação do nosso cinema da década de quarenta do século passado, que, na sequência da anterior abordagem dos anos trinta, aqui iniciámos em fevereiro com o JOÃO RATÃO de Brum do Canto. De novo, o critério não é o da cobertura sistemática de toda a produção de quarenta (a mais prolixa das décadas do sonoro português até 1974, embora quase igualada pela de sessenta), mas o da exibição dos filmes que há mais tempo não são projetados na Cinemateca, em particular daqueles que não foram mostrados em outros contextos de programação ao longo da última década. Para retomar o fio à meada, e mais uma vez permitindo-nos também a liberdade de olhar como parcialmente nosso aquilo que os realizadores portugueses fizeram fora de portas, voltamos a exibir o título que encerrou a carreira brasileira de Chianca de Garcia (inaugurada com PUREZA, de 1940, esse aqui projetado pela última vez em 2017).
 
 
12/06/2019, 18h30 | Sala Luís de Pina
Ciclo História Permanente do Cinema Português

24 Horas de Sonho
de Chianca de Garcia
Brasil, 1941 - 98 min | M/12
 
12/06/2019, 18h30 | Sala Luís de Pina
História Permanente do Cinema Português
24 Horas de Sonho
de Chianca de Garcia
com Dulcina de Moraes, Odilon de Azevedo, Conchita de Moraes, Aristóteles Pena
Brasil, 1941 - 98 min | M/12
No seu segundo e último filme brasileiro, produzido por Adhemar Gonzaga na Cinédia e com argumento de Joracy Camargo, Chianca visou alto nas referências e no tom, apostando no que à época parece ter sido visto no Brasil como um jogo estranho, talvez precisamente por ser estranho ao tom da comédia popular carnavalesca (a chanchada) que dominaria o cinema do país durante a década. Esta história de uma rapariga que encena uma falsa nobreza para viver as suas supostas últimas 24 horas de vida, e que se cruza com verdadeiros nobres em decadência e um episódio de roubo de joias, evocava de forma evidente outras paragens e referências cinematográficas, misturando o tom da comédia local com o tom mais sofisticado da comédia romântica americana. De tão centrado no contexto próximo (o confronto com tendências da altura, as diferenças entre o cinema português e brasileiro desse anos, etc.), o que encontramos hoje da crítica da época só acentua ainda mais a vontade de olhá-lo com outra distância. Por sua vez, aquando da última exibição nestas salas (que ocorreu há mais de duas décadas, em 1998), Luís de Pina sublinhava o modo como Chianca se tinha aqui afastado do universo de PUREZA, deixando agora triunfar “a fantasia, a fábula, a realidade organizada como palco, como lugar de convenção, longe do realismo ou do documento”. Por todas estas razões, tantos anos volvidos sobre essa última projeção, e mesmo sem a possibilidade de o dar a ver numa cópia perfeita (a cópia a que temos acesso é uma redução de 16 mm e com insuficiências de som), considerámos que 24 HORAS DE SONHO não deveria ser esquecido nesta abordagem.