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CICLO
Histórias do Cinema – Mário Jorge Torres: O Melodrama do Trágico ao Operático


Inaugurada em 2011, a rubrica “Histórias do Cinema” trouxe-nos essencialmente, durante vários anos, introduções a grandes autores da história do cinema mundial levadas a cabo por grandes críticos ou historiadores. Com o tempo, foram pontualmente introduzidas variantes, em que ao tratamento de um único autor se substituíram abordagens temáticas, embora sempre no mesmo formato de cinco sessões de cinema (de segunda a sexta-feira) antecedidas por conferências e seguidas de debate. Depois de alguns meses de interrupção, voltamos agora ao modelo, neste caso para abordar um género – o Melodrama – que é um dos grandes tópicos da programação do mês. O conjunto das sessões destas “Histórias do Cinema” e o Ciclo “Revisitar os Grandes Géneros: o Esplendor do Melodrama” são assim propostas complementares, que visam enriquecer os graus de leitura, ou de debate, sobre um mesmo tema.
 
Mário Jorge Torres exerceu durante 20 anos (1991-2011) as funções de crítico de cinema no jornal Público, sendo também professor de Literatura Americana e Estudos Cinematográficos na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Colaborou com importantes artigos nos catálogos da Cinemateca dedicados a Douglas Sirk, Pier Paolo Pasolini e John Huston, e organizou a edição dos livros Concerto das Artes e Não Vi o Filme, mas Li o Livro. Publicou, em 2008, Manoel de Oliveira (edição Cahiers du Cinéma/Público).
 
sessões-conferência por Mário Jorge Torres
 
INFORMAÇÃO SOBRE AS SESSÕES E VENDA ANTECIPADA DE BILHETES
A Cinemateca propõe um regime de venda de bilhetes específico para esta rúbrica em junho, fazendo um preço especial e dando prioridade a quem deseje seguir o conjunto das sessões conferência e das sessões associadas dos cinco filmes de longa-metragem. Este regime é válido apenas para os ingressos comprados na bilheteira local até ao dia 22 inclusive. Os lugares que não tenham sido vendidos são depois disponibilizados através do sistema de venda regular na bilheteira local, na Internet (cinemateca.bol.pt) e na rede de pontos de venda associados e de acordo com o preço específico destas sessões.

Sessões-conferência
Geral: € 5
Estudantes, Cartão Jovem, Maiores de 65 anos,
Reformados: € 3
Amigos da Cinemateca, Estudantes de cinema,
Desempregados: € 2,60

Passe (5 sessões-conferência)
Geral: €22
Estudante, cartão jovem, reformado e pensionista,
Maiores de 65 anos: €15
Amigos da Cinemateca, Estudantes de cinema,
Desempregados: €10
 
 
24/06/2019, 18h00 | Sala Luís de Pina
Ciclo Histórias do Cinema – Mário Jorge Torres: O Melodrama do Trágico ao Operático

Magnificent Obsession
Sublime Expiação
de Douglas Sirk
Estados Unidos, 1954 - 108 min
 
25/06/2019, 18h00 | Sala Luís de Pina
Ciclo Histórias do Cinema – Mário Jorge Torres: O Melodrama do Trágico ao Operático

Vaghe Stelle dell’Orsa…
de Luchino Visconti
Itália, França, 1965 - 100 min
26/06/2019, 18h00 | Sala Luís de Pina
Ciclo Histórias do Cinema – Mário Jorge Torres: O Melodrama do Trágico ao Operático

Yoshiwara
de Max Ophuls
França, 1937 - 88 min
27/06/2019, 18h00 | Sala Luís de Pina
Ciclo Histórias do Cinema – Mário Jorge Torres: O Melodrama do Trágico ao Operático

When Tomorrow Comes
Quando o Outro Dia Chega
de John M. Stahl
Estados Unidos, 1939 - 100 min
28/06/2019, 18h00 | Sala Luís de Pina
Ciclo Histórias do Cinema – Mário Jorge Torres: O Melodrama do Trágico ao Operático

I’ve Always Loved You
Sempre Gostei de Ti
de Frank Borzage
Estados Unidos, 1948 - 117 min
24/06/2019, 18h00 | Sala Luís de Pina
Histórias do Cinema – Mário Jorge Torres: O Melodrama do Trágico ao Operático
Magnificent Obsession
Sublime Expiação
de Douglas Sirk
com Jane Wyman, Rock Hudson, Otto Kruger
Estados Unidos, 1954 - 108 min
legendado em português | M/12
A “história da ceguinha” é provavelmente a mais delirante das que foram filmadas por Douglas Sirk, que a definiu como “uma maluquice, se houve história maluca neste mundo” (apesar disso, já tinha sido filmada anteriormente por John M. Stahl). Ao perder o controlo da sua lancha, um playboy causa a morte de um ilustre médico. Algum tempo depois, ao tentar redimir-se, provoca outro acidente que causa a cegueira da viúva do médico. O homem estuda medicina para encontrar maneira de curá-la. A mise-en-scène de Sirk é um prodígio de artificialismo, com cores que só existem no cinema e o filme ilustra esta célebre frase do realizador: “Creio que um melodrama deve produzir sobretudo emoções e não ações. Mas a emoção é uma espécie de ação, é uma ação no interior de uma pessoa.”
 
25/06/2019, 18h00 | Sala Luís de Pina
Histórias do Cinema – Mário Jorge Torres: O Melodrama do Trágico ao Operático
Vaghe Stelle dell’Orsa…
de Luchino Visconti
com Jean Sorel, Claudia Cardinale, Marie Bell
Itália, França, 1965 - 100 min
legendado eletronicamente em português | M/12
VAGHE STELLE DEL’ORSA… é uma das obras menos conhecidas do autor de IL GATTOPARDO, talvez por não ser muito característica do seu estilo, pois Visconti quis que este filme fosse mais fechado e mais seco, mais “moderno” do que os que viria a fazer no seu período final, a partir de OS MALDITOS. A respeito da programação de um filme de Luchino Visconti num Ciclo sobre melodramas, note-se que, para ele, a palavra melodrama não era associada a um dramalhão, mas considerada no seu sentido etimológico, que é o sentido corrente da palavra em Itália, o de um drama com música. Filmado a preto e branco, o que começava a ser raro nos anos sessenta, o filme, cujo título cita o início de um célebre poema de Giacomo Leopardi (“Belas estrelas da Ursa”), conta a paixão incestuosa de um jovem pela irmã, que se encontram na mansão paterna, quando ela regressa, acompanhada pelo marido, para se confrontar com um passado intolerável (a mãe denunciara o pai que morrera num campo de concentração).
 
26/06/2019, 18h00 | Sala Luís de Pina
Histórias do Cinema – Mário Jorge Torres: O Melodrama do Trágico ao Operático
Yoshiwara
de Max Ophuls
com Pierre-Richard Wilm, Michiko Tanaka, Sessue Hayakawa
França, 1937 - 88 min
legendado eletronicamente em português | M/12
Com a chegada dos nazis ao poder, Max Ophuls deixou a Alemanha e, até partir para os Estados Unidos em 1939, realizou oito filmes em França, um na Itália e um na Holanda. YOSHIWARA é um dos menos conhecidos destes filmes. Trata-se de um melodrama “exótico”, ambientado no bairro da prostituição em Tóquio. Em 1890, uma mulher de origem nobre é forçada a trabalhar como gueixa para sustentar a família. Apaixonado por ela, um homem que puxa um riquexó tenta reunir a quantia de dinheiro necessária para resgatá-la, mas ao perceber que ela está apaixonada por um tenente russo denuncia-os. Michele Mancini, um dos admiradores do filme, menciona entre as características do estilo de Ophuls visíveis em YOSHIWARA “a ilusão, a circularidade, o gosto pelas máquinas e os artifícios teatrais e a extraordinária féerie visual de algumas passagens”. Primeira exibição na Cinemateca.
 
27/06/2019, 18h00 | Sala Luís de Pina
Histórias do Cinema – Mário Jorge Torres: O Melodrama do Trágico ao Operático
When Tomorrow Comes
Quando o Outro Dia Chega
de John M. Stahl
com Irene Dunne, Charles Boyer, Barbara O’Neil
Estados Unidos, 1939 - 100 min
legendado eletronicamente em português | M/12
Adaptado de uma história de James McCain, um poderoso melodrama de um dos mestres do género em Hollywood, que voltaria a ser filmado em 1957 por outro mestre, Douglas Sirk, com o título INTERLUDE. Trata-se da história dos amores impossíveis entre uma criada de mesa e um célebre pianista clássico, que é casado com uma mulher com problemas mentais. O desenlace não é feliz, mas respeita os preceitos morais dos teólogos de Hollywood. Primeira exibição na Cinemateca.
 
28/06/2019, 18h00 | Sala Luís de Pina
Histórias do Cinema – Mário Jorge Torres: O Melodrama do Trágico ao Operático
I’ve Always Loved You
Sempre Gostei de Ti
de Frank Borzage
com Philip Dorn, Catherine McLeod, Maria Ouspenskaya
Estados Unidos, 1948 - 117 min
legendado eletronicamente em português | M/12
Um espantoso melodrama a cores, realizado por um dos mestres absolutos do género, sobre a paixão não correspondida de uma jovem por um grande pianista (Philip Dorn é “dobrado” ao piano por Arthur Rubinstein). Mas, como indica o título, a chama deste amor permanece através do tempo. O surpreendente final, em que o par “comunica” à distância, quase por telepatia, sublima as regras do género. João Bénard da Costa escreveu que “quem ficar enfeitiçado por este filme extremo, só pode ir de surpresa em surpresa, de êxtase em êxtase, até ao delirante final e amar este filme de excessos, portentoso vaso comunicante de uma teia infinita de cumplicidades, a mais paroxística e demencial das afirmações da arte de Borzage”.