CICLO
Double Bill


Nas duplas de julho, os filmes aproximam-se por partirem de imagens especialmente fortes; pela cronologia aproximada de realizadores com um caminho comum mas também obras diferentes; pela série B e a sua revisitação; pela importância de um lugar como elemento dramático num filme. ISLE OF THE DEAD de Mark Robson, inspirado na célebre pintura homónima Böcklin rima assim com CAVALO DINHEIRO, que Pedro Costa começa com uma série fotográfica de Jacob Riis. APRÈS LA RÉCONCILIATION e ÉLOGE DE L’AMOUR, respetivamente realizados em 2000 e 2001 por Anne-Marie Miéville e Jean-Luc Godard são mostrados em contínuo. TIP TOP, penúltimo filme de Serge Bozon foi realizado em 2013 tendo em conta o modelo de produção americana em que, mostrado a seguir a este, SO DARK THE NIGHT de Joseph H. Lewis se inscreve. REMORQUES de Jean Grémillon e Baumi Haebyeoneui Yeoin / ON THE BEACH AT NIGHT ALONE de Hong Sang-soo – duas obras de dois realizadores a cujas obras a Cinemateca tenciona dedicar especial atenção em breve – não são filmes “de mar” nem “de praia”, mas não existiriam sem o mar e sem a praia.
 
 
07/07/2018, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Double Bill

Isle of the Dead | Cavalo Dinheiro
duração total da projeção: 176 min | M/12
 
14/07/2018, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Double Bill

Après la Réconciliation | Éloge de l’Amour
duração total da projeção: 171 min | M/12
21/07/2018, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Double Bill

Tip Top | So Dark the Night
duração total da projeção: 177 min | M/12
28/07/2018, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Double Bill

Remorques | Baumi Haebyeoneui Yeoin
duração total da projeção: 191 min | M/12
07/07/2018, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Double Bill
Isle of the Dead | Cavalo Dinheiro
duração total da projeção: 176 min | M/12
Entre os dois filmes há um intervalo de 20 minutos.
ISLE OF THE DEAD
A Ilha dos Mortos
de Mark Robson
com Boris Karloff, Ellen Drew, Marc Cramer, Katherine Emery
Estados Unidos, 1945 – 72 min / legendado em português
CAVALO DINHEIRO
de Pedro Costa
com Ventura, Vitalina Varela, Tito Furtado, Antonio Santos
Portugal, 2014 – 104 min / legendado em português

ISLE OF THE DEAD foi um dos últimos filmes produzidos por Val Lewton para a RKO durante a Segunda Guerra Mundial. Inspira-se na pintura homónima de Arnold Böcklin, que surge num filme anteriormente produzido por Lewton, I WALKED WITH A ZOMBIE, de Jacques Tourneur, de que Mark Robson foi montador, assim como de outros Tourneur ou de THE MAGNIFICENT AMBERSONS de Orson Welles. Boris Karloff encabeça um grupo isolado em quarentena numa ilha grega em que, como anuncia o cartaz do filme, uma força do mal faz reviver os mortos e enterra os vivos. Enquanto decorria a Revolução de abril de 1974, Ventura, o protagonista cabo-verdiano de JUVENTUDE EM MARCHA (Pedro Costa, 2006), deambulava pelas ruas de Lisboa, episódio central de CAVALO DINHEIRO, que Pedro Costa volta a organizar à volta de Ventura e da sua história. É na coalescência de tempos diferentes, e através de um passado interrompido pelo curso do presente, que o filme se constrói, tirando partido dos mecanismos pouco lineares da memória e revisitando os espectros de um país. A apurada mise-en-scène e o forte investimento no trabalho de composição fotográfica confluem na construção de uma atmosfera densa, que evoca muitas das referências cinematográficas de Pedro Costa. A abri-lo, uma magnífica série de fotografias de Jacob Riis, o autor de How the Other Half Lives, que no final do século XIX denunciou as condições de vida miseráveis dos bairros mais pobres de Nova Iorque.
 
14/07/2018, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Double Bill
Après la Réconciliation | Éloge de l’Amour
duração total da projeção: 171 min | M/12
Entre os dois filmes há um intervalo de 20 minutos.
APRÈS LA RÉCONCILIATION
Depois da Reconciliação
de Anne-Marie Miéville
com Claude Perron, Anne-Marie Miéville, Jacques Spiesser, Jean-Luc Godard, Xavier Marchand
França, Suíça, 2000 – 74 min / legendado em português
ÉLOGE DE L’AMOUR
O Elogio do Amor
de Jean-Luc Godard
com Bruno Putzulu, Cecile Camp, Jean Davy, Françoise Verny
França, 2001 – 97 min / legendado em português

Companheira e colaboradora regular de Jean-Luc Godard desde o início da década de setenta, Anne-Marie Miéville assina este seu, à data, último trabalho na longa-metragem de ficção, que conta com Godard num dos papéis protagonistas, não escapando a uma forte componente biográfica. Conferindo um papel de relevo ao discurso, APRÈS LA RÉCONCILIATION adota uma austeridade de formas que acentua a força das palavras proferidas por duas mulheres e dois homens que discutem sobre a felicidade, o amor e o conhecimento. Sem esquecer o humor, Miéville toca algumas das questões essenciais da existência humana. No ano de LE LIVRE D’IMAGE (2018, recentemente apresentado em Cannes), pode continuar a dizer-se: sempre igual a si mesmo, sempre diferente, cada filme de Jean Luc-Godard é uma pedrada no charco. ÉLOGE DE L’AMOUR foi a pedrada de 2001, construído em duas partes cronologicamente invertidas. Enquanto a primeira “conta” as tentativas de um realizador para levar a cabo um projeto de filme sobre o “amor”, a segunda, num tom distinto, mostra-nos o seu encanto, três anos antes, com a mulher-intérprete do filme.
 
21/07/2018, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Double Bill
Tip Top | So Dark the Night
duração total da projeção: 177 min | M/12
Entre os dois filmes há um intervalo de 20 minutos.
TIP TOP
de Serge Bozon
com Isabelle Huppert, Sandrine Kiberlain, François Damiens
França, Bélgica, 2013 – 106 min / legendado eletronicamente em português
SO DARK THE NIGHT
Terror na Noite
de Joseph H. Lewis
com Steven Geray,  Micheline Cheirel, Eugene Borden, Ann Codee
Estados Unidos, 1946 – 71 min / legendado eletronicamente em português

Um dos mais estranhos e fabulosos filmes “noir” dos anos quarenta, muito influenciado pela voga da psicanálise, em que um detetive parisiense investiga uma série de sádicos assassinatos, para descobrir que o autor é ele próprio. Admiravelmente fotografado, dando bom uso aos motivos do espelho e dos reflexos, SO DARK THE NIGHT não deixa de ser uma variação bastante aberta do clássico Strange Case of Dr. Jeckyll and Mr. Hyde (Robert Louis Stevenson, 1886), coisa que o francês Serge Bozon também ensaiou no surpreendente MADAME HYDE (2017), filme seguinte a TIP TOP. Ambos são protagonizados por Isabelle Huppert em papéis que Bozon pensou em contracorrente com a imagem grave da atriz, confrontada, em TIP TOP, com as possibilidades da comédia. Aqui, Huppert é uma das duas excêntricas inspetoras de polícia que se deslocam do meio urbano a que pertencem para uma aldeia, a fim de investigarem o crime de homicídio de um argelino que era informador da polícia. Filmado com a referência do cinema americano de série B, TIP TOP segue a mesma linha da multiplicidade de registos dos outros filmes de Serge Bozon, da atenção às canções, de uma fotografia em que se destaca o trabalho da cor. SO DARK THE NIGHT é apresentado em cópia digital, a seguir a TIP TOP (primeira exibição na Cinemateca).
 
28/07/2018, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Double Bill
Remorques | Baumi Haebyeoneui Yeoin
duração total da projeção: 191 min | M/12
Entre os dois filmes há um intervalo de 20 minutos.
REMORQUES
de Jean Grémillon
com Jean Gabin, Michèle Morgan, Madeleine Renaud
França, 1939-41 – 90 min / legendado eletronicamente em português
BAUMI  HAEBYEONEUI YEOIN
“Na Praia à Noite Sozinha”
de Hong Sang-soo
com Kim Min-hee, Seo Younghwa, Jung Jaeyoung, Moon Sungkeun
Coreia do Sul, 2017 – 101 min / legendado eletronicamente em português

Jean Grémillon continua a ser um caso de estranha obscuridade entre os grandes cineastas franceses, autor de uma prolífera, diversa e original obra iniciada nos anos vinte, defendida ferverosamente por críticos e realizadores como Paul Vecchiali, um incondicional. REMORQUES, começado em 1939 e concluído em 41, é um dos filmes do período da Ocupação, construído a partir de um argumento que conta com o contributo de Jacques Prévert. Reunindo Jean Gabin, Michèle Morgan e Madeleine Renaud numa história triangular, Grémillon eleva o tema melodramático à dimensão de tragédia e volta a olhar o mar como um dos elementos fundamentais do filme. On the Beach at Night Alone, na versão internacional do título, é um dos mais recentes filmes de Hong Sang-soo, imparável em velocidade de realização (dos últimos, três filmes em 2017, um em 2018). A noite e a praia do título são de Kim Min-hee, a atriz que aqui se chama Younghee e tem o papel de uma atriz famosa cuja vida pessoal é exposta na sequência de uma relação amorosa com um homem casado, entretanto terminada. É este o motor narrativo do filme, que passa por Hamburgo e volta à Coreia, nas duas partes assimétricas que o dividem, filmadas por dois diretores de fotografia diferentes. E é na Coreia que a rapariga encontra, na praia, um lugar para estar sozinha, mas também o sítio de um reencontro com o realizador que fora seu amante, a equipa dele e uma noite de reunião à mesa com soju e emoções à flor ou sob a pele. REMORQUES é apresentado em cópia digital. On the Beach at Night Alone é uma primeira exibição na Cinemateca).