CICLO
Double Bill


Para o programa de julho de ”Double Bill”, a escolha recaiu sobre aquilo que para simplificar chamaremos “dípticos”. Não será etimologicamente o termo mais correto, mas como não existe – pelo menos em português – o equivalente de trilogia ou tetralogias para duas obras com afinidades, ficamos assim. Do programa excluímos propositadamente filmes que, por razões puramente comercias foram divididos ao meio, como é o caso de NOVECENTO ou KILL BIL (só para dar dois exemplos óbvios), mas também DAS INDISCHE GRABMAL / DER TIGER VON ESCHNAPUR. Foram também excluídos “remakes” (ficará para uma outra vez). Da seleção que fizemos, em quatro das cinco sessões, os filmes são do mesmo autor, e giram à volta ou do mesmo tema, ou das mesmas personagens, ou de ambas as coisas. A última sessão, essa sim, é composta por dois filmes que são, cada um deles, raros exemplos de dípticos em cinema.
 
 
01/07/2017, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Double Bill

Smoking | No Smoking
duração total da projeção: 291 min | M/12
 
08/07/2017, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Double Bill

Flags of Our Fathers | Letters from Iwo Jima
duração total da projeção: 273 min | M/16
15/07/2017, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Double Bill

Father of the Bride | Father’s Little Dividend
duração total da projeção: 174 min | M/6
22/07/2017, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Double Bill

La Chienne | Boudu Sauvé des Eaux
duração total da projeção: 183 min | M/12
29/07/2017, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Double Bill

Movie Movie | Mon Cas
duração total da projeção: 191 min | M/12
01/07/2017, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Double Bill
Smoking | No Smoking
duração total da projeção: 291 min | M/12
Entre os dois filmes há um intervalo de 30 minutos
SMOKING
Fumar
de Alain Resnais
com Sabine Azéma, Pierre Arditi
França, 1993 – 145 min / legendado em português
NO SMOKING
Não Fumar
de Alain Resnais
com Sabine Azéma, Pierre Arditi
França, 1993 – 146 min / legendado em português

Com argumento e diálogos de Agnès Jaoui e Jean-Pierre Bacri, a partir da peça Intimate Exchanges de Alan Ayckbourn, SMOKING e NO SMOKING é, para muitos, o trabalho mais audacioso de um cineasta que permanece como um dos mais inovadores do cinema da segunda metade do século XX. Neste díptico, a partir do gesto de pegar ou não num cigarro, Resnais leva-nos a uma verdadeira “realidade virtual”, com uma narrativa que propõe percursos alternativos para as relações entre os vários casais (representados sempre pelos mesmos atores), e por conseguinte uma série de finais diferentes. Uma obra-prima. Mais do que um par, NO SMOKING é uma incursão numa espécie de universo paralelo de SMOKING, onde os acidentes mais ou menos cómicos entre os vários pares adquirem uma faceta melancólica e algo trágica. O percurso é contado na mesma grelha de “alternativas” vista em SMOKING, mas destaca-se por subtis alterações narrativas.
 
08/07/2017, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Double Bill
Flags of Our Fathers | Letters from Iwo Jima
duração total da projeção: 273 min | M/16
Entre os dois filmes há um intervalo de 30 minutos
FLAGS OF OUR FATHERS
As Bandeiras dos Nossos Pais
de Clint Eastwood
com Ryan Phillippe, Jesse Bradford, Adam Beach, John Benjamin Hickey, John Slattery
Estados Unidos, 2006 – 132 min / legendado em português
LETTERS FROM IWO JIMA
As Cartas de Iwo Jima
de Clint Eastwood
com Ken Watanabe, Kazunari Ninomiya, Tsuyoshi Ihara, Ryo Kase, Shidou Nakamura
Estados Unidos, 2006 – 141 min / legendado em português

Adaptação ao cinema do livro de James Bradley. No primeiro filme do díptico da Segunda Guerra Mundial, Clint Eastwood encena as duas perspetivas dos lados em confronto na sangrenta batalha que marcou a tomada da ilha japonesa de Iwo Jima. FLAGS OF OUR FATHERS corresponde à perspetiva americana, à qual sucede a perspetiva japonesa de LETTERS FROM IWO JIMA, do mesmo ano. No centro da encenação de FLAGS OF OUR FATHERS, conceito em si mesmo fulcral no filme, está a célebre fotografia de Joe Rosenthal dos soldados a içar a bandeira americana em solo japonês. À perspetiva americana das BANDEIRAS sucede a perspetiva japonesa das CARTAS. Mais concentrado do que BANDEIRAS, o segundo filme do díptico é interpretado por atores japoneses e falado em japonês. Parte das cartas que o general japonês Tadamichi Kuribayashi escreveu à filha durante os dias em que contra todas as expectativas liderou o combate ao desembarque americano. Uma obra-prima absoluta. Primeira exibição na Cinemateca.
 
15/07/2017, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Double Bill
Father of the Bride | Father’s Little Dividend
duração total da projeção: 174 min | M/6
Entre os dois filmes há um intervalo de 30 minutos
FATHER OF THE BRIDE
O Pai da Noiva
de Vincente Minnelli
com Spencer Tracy, Elizabeth Taylor, Joan Bennett
Estados Unidos, 1950 – 92 min / legendado eletronicamente em português
FATHER’S LITTLE DIVIDEND
O Pai É Avô
de Vincente Minnelli
com Spencer Tracy, Joan Bennett, Elizabeth Taylor
Estados Unidos, 1951 – 82 min / legendado eletronicamente em português
 
Um dos mais populares filmes de Minnelli, que inclusivamente geraria uma sequela, FATHER’S LITTLE DIVIDEND, num tempo em que elas ainda eram relativamente raras. O “pai da noiva” é Spencer Tracy, a noiva é Elizabeth Taylor, que simbolicamente o filme também faz chegar à idade adulta. E esse, no fundo, é o tema desta comédia eivada de um sentimento nostálgico, com a personagem do pai a aceitar, aos poucos, o amadurecimento da filha e, subsidiariamente, o seu próprio envelhecimento. Tão bem sucedido foi FATHER OF THE BRIDE que Minnelli e a MGM se atiraram imediatamente a uma sequela, tida, aliás, como uma das primeiras “sequelas” no sentido que muito mais tarde se tornaria comum (até demasiado comum). Mantendo o núcleo do elenco do filme anterior, FATHER’S LITTLE DIVIDEND acompanha os primeiros tempos do casamento da personagem de Taylor, e o nascimento do primeiro filho. Spencer Tracy tem agora de lidar com o facto de ser avô, num filme que prolonga o registo de nostalgia leve já visto na obra original.
 
22/07/2017, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Double Bill
La Chienne | Boudu Sauvé des Eaux
duração total da projeção: 183 min | M/12
Entre os dois filmes há um intervalo de 30 minutos
LA CHIENNE
de Jean Renoir
com Michel Simon, Janie Marèse, Georges Flamand
França, 1931 – 100 min / legendado eletronicamente em português
BOUDU SAUVE DES EAUX
Boudu Querido
de Jean Renoir
com Michel Simon, Charles Granval, Marcelle Hainia
França, 1933 – 83 min / legendado em português
 
O segundo filme sonoro de Renoir, feito em som direto, é uma das suas obras-primas absolutas. Esta história de um pacato pequeno burguês que se apaixona por uma prostituta sem coração, com uma notável interpretação de Michel Simon, ilustra de modo explícito a tensão entre realismo e fantasia que caraterizou o cinema de Renoir neste período. LA CHIENNE também ilustra a faceta anárquica de Renoir, com uma visão pouco amável do casamento, do trabalho, do mundo da arte e da justiça. BOUDU SAUVÉ DES EAUX, realizado quase trinta anos antes da Nouvelle Vague, talvez seja um dos seus mais legítimos predecessores: prodigiosamente inventivo, deliciosamente “anarca”, um filme que se está olimpicamente nas tintas para a “correção” técnica, efusivamente provocador. Um respeitável livreiro parisiense recolhe um vagabundo, mas este é demasiado “bárbaro” para ser sedentário e preferirá voltar à sua liberdade.
 
29/07/2017, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Double Bill
Movie Movie | Mon Cas
duração total da projeção: 191 min | M/12
Entre os dois filmes há um intervalo de 30 minutos
MOVIE MOVIE
Fitas Loucas
de Stanley Donen
com George C. Scott, Trish Van Devere, Red Buttons, Eli Wallach
Estados Unidos, 1978 – 102 min / legendado eletronicamente em português
MON CAS
O Meu Caso
de Manoel de Oliveira
com Bulle Ogier, Luis Miguel Cintra, Axel Bougousslavsky, Fred Personne
França, Portugal, 1986 – 89 min / legendado em português
 
No contexto do conjunto de filmes que parodiavam os géneros clássicos na Hollywood de finais dos anos sessenta/setenta, MOVIE MOVIE é uma comédia musical em “dois”: o filme é composto por dois segmentos protagonizados pelo casal formado por George C. Scott e Trish Van Devere, “Dynamite Hands” e “Baxter's Beauties of 1933”. Também produzido e realizado por Donen, foi o seu antepenúltimo filme. Baseado em José Régio (O Meu Caso), Samuel Beckett (Pour En Finir et Autres Foirades) e na Bíblia (Livro de Job), MON CAS, falado em francês, pertence à mesma vertente de OS CANIBAIS, que Oliveira realizou a seguir. No centro de tudo, está a representação, com a peça O Meu Caso de Régio mostrada sob três ângulos: em palco, em montagem acelerada e retomada, com toda a banda sonora, em marcha atrás. Segue-se, um quadro crepuscular da civilização moderna, sobre trechos do Livro de Job, terminando com uma recriação de Piero Della Francesca.