CICLO
Recordar Francis Graça


Coreógrafo, bailarino e ator, Francis Graça (1902-1980) teve grande notoriedade a partir do final da década de 1920 e até aos anos de 1950, destacando-se a sua ação renovadora a nível do bailado e do teatro musicado nacional. Nascido em Lisboa, no bairro da Graça, estudou música no Conservatório Nacional, mas não teve formação convencional de bailado clássico, apenas uma breve aprendizagem com uma professora de nacionalidade russa. Apresentou-se pela primeira vez em 1925 num espetáculo do Teatro Novo, de António Ferro, que decorreu no foyer do teatro Tivoli com algum escândalo do público. Depois de uma permanência em Paris, em setembro de 1926 estreava-se na revista Cabaz de Morangos, no Cineteatro Éden, desta vez com grande êxito.
A partir de então, coreografou e dançou em inúmeros espetáculos de revista, tendo trabalhado com as mais importantes vedetas da época, de Beatriz Costa a Hermínia Silva. Interessado na dança de temas portugueses e na estilização do folclore nacional e, por isso, desde muito cedo em sintonia com os ideais do diretor do SPN, António Ferro, Francis Graça foi um dos fundadores e o mais importante coreógrafo (e bailarino) dos Bailados Portugueses Verde-Gaio. A Cinemateca evoca a sua figura e a sua possível influência, indireta, no cinema português de género musical com a exibição do filme OS TRÊS DA VIDA AIRADA. À época muito popular pela inovação que trouxe à revista, Francis participou no primeiro sono-filme português, A SEVERA (Leitão de Barros, 1930), cujo sucesso também se deveu à sua pequena colaboração. No filme dança um heterodoxo fandango executado para a câmara que é, aliás, o primeiro registo em movimento das suas qualidades como intérprete autodidacta.
A sessão decorre em paralelo à exposição Francis Graça, Dança, Esplendor e Sombras, com curadoria de Luísa Roubaud (INET-MD), no Museu Nacional do Teatro e da Dança (MNTD) até 4 de setembro, e será precedida de um debate a partir das 18h00 (aberto ao público) sobre o legado de Francis Graça, numa parceria com MNTD, o Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança e o Centro de Estudos em Artes Performativas (CEAP), inserida no Curso de Doutoramento em Dança da Faculdade de Motricidade Humana (Universidade de Lisboa).
 
 
07/07/2022, 19h30 | Sala Luís de Pina
Ciclo Recordar Francis Graça

Os Três da Vida Airada
de Perdigão Queiroga
Portugal, 1952 - 98 min | M/12
 
07/07/2022, 19h30 | Sala Luís de Pina
Recordar Francis Graça
Os Três da Vida Airada
de Perdigão Queiroga
com Milú, António Silva, Eugénio Salvador
Portugal, 1952 - 98 min | M/12
Argumento de Manuel da Fonseca e Perdigão Queiroga numa popular comédia dos anos 50 que se desenvolve nos meandros do teatro lisboeta. Três entusiastas do teatro amador vêem abrir-se-lhes a porta da profissionalização, o que provoca dissensões entre eles. “Variação sobre o tema do estrelato, na qual os atores jogam em permanência com a sua própria imagem pública, OS TRÊS DA VIDA AIRADA vale sobretudo pelos inúmeros exercícios de desdobramento, como quando Eugénio Salvador reproduz, do «outro lado do espelho», movimentos à Gene Kelly ou Fred Astaire, e pelos cinco minutos finais, em que vemos Lico triunfar no palco do Monumental em dois números inspirados nas coreografias dos filmes de Vincente Minnelli e Bruce Humberstone, numa rara incursão do cinema português pelo território do musical americano” (Manuel Deniz Silva, Investigador do Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança).