13/11/2025, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Cinema Experimental Português: O Cinema dos Artistas, Anos 60 e 70
Programa Julião Sarmento - 2
SOMBRA
Portugal, 1976 – 67 min / mudo
RUMBA
Portugal, 1976 – 3 min / mudo
LANDSCAPE
Portugal, 1980 – 12 min / som
de Julião Sarmento
duração total da projeção: 82 minutos | M/16
Esta sessão reúne os restantes dois filmes realizados por Sarmento em 1976 em Super 8, SOMBRA e RUMBA, a que se soma LANDSCAPE, a única das suas duas obras de 1980 que subsistiu, e que foi filmada em Vídeo U-Matic. Em SOMBRA, trabalho ambicioso, dada a sua extensa duração, a iluminação varia lentamente sobre duas mulheres despidas, transformando a imagem erótica num estudo de chiaroscuro. Como escreveu André Silveira em Julião Sarmento, The Complete Film Works, "são imagens que pelos seus enquadramentos remetem para o trabalho de pintura do artista". Em RUMBA uma mulher dança a conhecida dança cubana, envergando um vestido de cetim vermelho. Há movimentos próximos dos de pernas e uma sugestão musical de algo que não se ouve. Em LANDSCAPE uma ventoinha captada de uma televisão abre um filme cuja protagonista é uma mulher sentada numa cadeira giratória. Uma das características que distingue este trabalho das experiências anteriores de Sarmento é o recurso ao som. Depois de LANDSCAPE, o artista só voltaria a trabalhar em vídeo em 1996, apresentando uma video-instalação com 2 projeções, iniciando uma nova fase na sua obra.
15/11/2025, 19h30 | Sala Luís de Pina
Cinema Experimental Português: O Cinema dos Artistas, Anos 60 e 70
Programa Helena Almeida
sessão com apresentação
OUVE-ME
Portugal, 1979 – 5 min / mudo
VÊ-ME
Portugal, 1979 – 32 min / som
de Helena Almeida
duração total da projeção: 37 minutos | M/12
Ouve-me insere-se numa extensa série de trabalhos que Helena Almeida (1934-2018) desenvolveu de 1978 a 1980 intitulada Sente-me, Ouve-me, Vê-me, em torno de premissas contraditórias entre a imagem e a sua representação, que atravessam a fotografia, o trabalho de som e o vídeo. Ouve-me, o primeiro trabalho em vídeo de Helena Almeida, revela a impossibilidade através da ausência de som da palavra "ouve-me" na boca da artista enquanto esta a pronuncia. VÊ-ME é uma peça sonora, em que se ouve o som de um desenho a ser feito em grafite sobre o papel. Como escreveu Isabel Carlos, "significativamente, toda a obra de Helena Almeida não usa a escrita a não ser uma vez. E para escrever a palavra 'Ouve-me'. Mas esta injunção escreve-se ou escrevinha-se como uma linha de sutura que cose os lábios e impede a saída da voz, ou em frente de um écran-cortina que não deixa passar o corpo que poderia falar, mas não fala, que poderia dizer, mas não diz".
15/11/2025, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Cinema Experimental Português: O Cinema dos Artistas, Anos 60 e 70
Programa António Palolo - 1
sessão com apresentação
FILMES 1968/1969
Portugal, 1968-69 – 28 min
LIGHTS
Portugal, 1972-76 – 21 min
de António Palolo
duração total da projeção: 49 minutos / mudos | M/12
Durante os anos sessenta e setenta, António Palolo (1946-2000) experimentou com os formatos cinematográficos de 8 mm e Super 8 produzindo um grupo extraordinário de trabalhos, com óbvias relações com a sua restante obra plástica. Parte destes filmes recuperam imagens da cultura popular, corpos masculinos e femininos, imagens de cowboys e pin-ups, personalidades importantes na época, recortadas de revistas, que são colocados em movimento acompanhados de diversas formas geométricas, em obras na sua maior parte a preto e branco. Há ligações óbvias à pop art, ao movimento dada e ao surrealismo, mas também às pinturas que o artista produziu entre 1968 e 1971, nas quais articulava referências pop num estilo aberto à figuração e à abstração. Filmados maioritariamente em Super 8 e com cerca de três minutos cada, encontramos nesta sessão um conjunto de filmes datados de 1968 e 1969. A sessão termina com LIGHTS, iniciado por Palolo em 1972 e concluído já em 1976, no qual é bem claro o interesse pela astronomia e pela cosmologia, que marcará uma fase posterior do seu trabalho. A cor adquire aqui também um importante papel, com o artista a usar filtros de cor em certas partes do filme.
17/11/2025, 19h30 | Sala Luís de Pina
Cinema Experimental Português: O Cinema dos Artistas, Anos 60 e 70
Programa António Palolo - 2
FILMES 1970/1971
Portugal, 1970-71
de António Palolo
duração total da projeção: 40 minutos / mudos | M/12
Esta segunda sessão Palolo concentra-se nos filmes em Super 8 que realizou em 1970 e 1971, e que oscilam entre o que podemos chamar de registo amador e um trabalho mais explicitamente experimental, tendo o mais curto um minuto e o mais longo nove. Inclui-se aqui um dos seus filmes mais conhecidos, em que regista o movimento frenético de um conjunto de formigas num recipiente circular cheio de açúcar. Pelo meio, imagens de Itália, de exposições de António Charrua ou do próprio Palolo. Experiências iniciais que podem também ser relacionadas com as suas pinturas da época face ao modo como se articula a relação entre as formas orgânicas e as formas geométricas, em que transparece mais uma vez a importância do círculo.
consulte a FOLHA da CINEMATECA aqui
18/11/2025, 19h30 | Sala Luís de Pina
Cinema Experimental Português: O Cinema dos Artistas, Anos 60 e 70
Programa António Palolo - 3
DRAWINGS
Portugal, 1971 – 62 min / mudo | M/12
de António Palolo
Uma sequência rítmica de desenhos em contínuo movimento, riscados diretamente na película Super 8, que se transforma num movimento hipnótico de elevada potência visual. As cores, os traços, as linhas da pintura e do desenho ganham toda uma outra força distinta da confinada aos limites da tela ou da folha de papel através da sua ativação pela montagem do cinema e posterior projeção. Um filme de extraordinária beleza que reenvia para toda uma tradição dos filmes sem câmara das vanguardas e do cinema experimental, de Len Lye a Stan Brakhage.