Título da série de retratos filmados de artistas plásticos (mais uma atriz e ele mesmo) com a qual, em meados dos anos 1990, Jorge Silva Melo reinventou a sua vida no cinema a partir dos Artistas Unidos. No momento deste retrato de Ana Vieira (1940-2016) interessava à artista “o que não é dito, o que não é visto”. Silva Melo filmou e sobre o que filmou escreveu: “Mas o que não se vê (ou se vê de esguelha, espiando, deslocando o ponto de vista, recusando a frontalidade do renascimento) é o assunto principal deste trabalho intransigente. No cinema, designa-se isso por
off e é o assunto principal de muitos dos mais belos planos. No teatro, chamou-se a isso bastidores, é onde morrem Jocasta e Antígona, se cega Édipo, morre Fedra. Nós só sabemos, porque, felizmente, Téramène na Fedra ou o Soldado no Rei Édipo, ecos, testemunhas, nos vêm contar. Ou porque Ana Vieira, guardadora das sombras, lhes fixou a traça? Filmar o invisível, é assim um destino: filmar o rasto (rastejar?), a ausência, colocar-me à indiscreta janela (é belo o inglês, REAR WINDOW) onde passam as sombras, na caverna.”
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