CICLO
A Queda das Ditaduras e a Emergência dos Cinemas Novos na Grécia e em Espanha


Em colaboração com a Filmoteca Española e o Tainiothiki tis Ellados/Greek Film Archive
Grécia, Espanha e Portugal. Três países europeus unidos por uma história cindida, no século XX, por um “antes” e um “depois” do colapso dos respetivos regimes ditatoriais. Uma questão de corte – e uma questão de montagem – permite a união de experiências revolucionárias decorridas quase em simultâneo. Transições para a democracia que não aconteceram da noite para o dia, nem tão-pouco num vácuo. Puxa-se o filme para trás e para a frente, tentando dar conta dos fatores, nacionais e internacionais, que terão conduzido às quedas dos respetivos regimes autoritários – o regime dos coronéis, o franquismo e o salazarismo. As causas de um fim testemunhadas pelo cinema. Uma perspetiva pré-revolucionária aliada a uma prospetiva pós-revolucionária combinam-se nos filmes propostos, dando espaço à devida revisita histórica desse período de transição e de transformação, contemplando o “depois”.
Envolvendo o então diretor da Cinemateca Portuguesa, José Manuel Costa, o presente Ciclo surgiu sob a forma de um repto lançado há cerca de três anos. Dessa semente germinou uma colaboração a várias mãos – e a vários olhares – que juntou Portugal, Espanha e Grécia num projeto comum. Aliaram-se, deste modo, à Cinemateca Portuguesa, a Filmoteca Espanhola e o Tainiothiki Tis Ellados (Cinemateca da Grécia). Esse Ciclo tripartido “viajou” primeiro pelos outros dois países até chegar, agora, no mês de Abril, à Cinemateca, mas em formato mais reduzido já que foi lhe retirada a componente portuguesa do programa por serem obras que têm sido presenças regulares na nossa programação. Os filmes portugueses então programados (OS VERDES ANOS, BOM POVO PORTUGUÊS, TRÁS-OS-MONTES, O SANGUE, RECORDAÇÕES DA CASA AMARELA, “NON” OU A VÃ GLÓRIA DE MANDAR, A COSTA DOS MURMÚRIOS) assinalavam a separação entre um cinema “antigo” e um cinema “novo”, num país marcado pelo clima de repressão diária vivida em ditadura e pela chaga da Guerra Colonial, ferida aberta e ainda por sarar ao dia de hoje. Apesar ou por causa disso, também levantavam o véu sobre o país que saiu – e se reviu ao espelho – depois da Revolução.
Os títulos a apresentar agora dizem então apenas respeito às transições democráticas que tiveram lugar em Espanha por volta de 1975, ano da morte de Franco, e à data da queda da ditadura dos coronéis na Grécia, em 1974. A maioria destes filmes é exibido pela primeira vez nas nossas salas, cobrindo-se, assim, por via da ficção e também do documentário, o período anterior e posterior à queda das respetivas ditaduras. Trata-se de um lote de filmes em modo de retrato conjunto de diferentes gerações de cineastas que ajudaram a edificar todo um novo cinema sob o efeito dos traumas do passado grego e espanhol.
Paralelamente à descoberta destes filmes espanhóis e gregos, permitimos ainda a revisita do período revolucionário português num ciclo contíguo a este e apresentado também no contexto “abrilista” da nossa programação, “A Enxada É de Toda a Gente””, dedicado à obra de Thomas Harlan rodada na herdade de Torre Bela em pleno PREC. Talvez a proposta global dos dois ciclos também traduza um esforço de (re)visitação da nossa História pelo olhar dos nossos semelhantes. E, deste modo, de se abrir mais o espaço ao novo e ao diferente.
 
29/04/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
Ciclo A Queda das Ditaduras e a Emergência dos Cinemas Novos na Grécia e em Espanha

​I PROTI EIKONA | MIA ZOI SE THYMAMAI NA FEVGEIS
 
29/04/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
A Queda das Ditaduras e a Emergência dos Cinemas Novos na Grécia e em Espanha
​I PROTI EIKONA | MIA ZOI SE THYMAMAI NA FEVGEIS
I PROTI EIKONA
“A Primeira Imagem”
de Olia Verriopoulou
com Konstantinos Vourloumis, Maia Mikeli, Christos Plainis
Grécia, 2025 – 25 min

MIA ZOI SE THYMAMAI NA FEVGEIS
“Lembro-me de te Ires Embora o Tempo Todo”
de Frieda Liappa
com Dimitris Poulikakos, Nena Menti, Betty Arvaniti
Grécia, 1977 – 45 min

duração total da projeção: 70 min
legendados em inglês e eletronicamente em português | M/12

O filme de Frieda Liappa é uma média-metragem sobre o relacionamento de uma jornalista de esquerda com um antigo actor de teatro. Inspirado pela música de Dimitris Mitropanos, onde a realizadora foi buscar o título do filme, trata-se de um retrato da situação vivida na Grécia no ano de 1977, durante o período de transição democrática que se seguiu à queda da junta militar. Liappa esteve presa durante o regime ditatorial dos generais, sendo o seu primeiro filme, META 40 MERES, sobre um soldado que vagueia pelas ruas de Atenas, dois anos antes do fim da junta. A abrir a sessão, uma curta-metragem de ficção de uma jovem realizadora situada nos primeiros tempos da ditadura militar.
O pequeno Loukas sente-se sufocado no apartamento da família, do qual está proibido de sair. Inventa então um novo jogo que o liga ao mundo exterior: atender o telefone. Mas a linha telefónica da casa acaba por se misturar com a do cinema local. Primeiras passagens na Cinemateca, a exibir em cópias digitais.

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