CICLO
Que Farei Eu com Esta Espada?


No antepenúltimo dos últimos meses dedicados ao programa com que celebramos ao longo de 2024 os 50 anos do 25 de Abril apresentamos a proposta de filmes para a Comunidade e Futuro, eixos que encerraremos em dezembro (alternando, em novembro, com os eixos Liberdade e Revolução).
 
COMUNIDADE
Em outubro, este núcleo de oito títulos em sete sessões distintas sobre a ideia de Comunidade concentra--se em “belas equipas” de pioneiros a desbravar território (STAGECOACH, Ford), trabalhadores em coletivo fraternal (LA BELLE ÉQUIPE, DuvivIer), trabalhadoras no pós-Guerra japonês (AKASEN CHITAI, Mizoguchi), mulheres-atrizes em reflexão sobre o seu trabalho (SOIS BELLE ET TAIS-TOI!, Seyrig); também no embate de um forasteiro com uma comunidade que lhe resiste (WILD RIVER, Kazan) ou na incursão de um viajante numa comunidade de afetos (O DIA EM QUE ELE CHEGA, Sang-soo); e no diálogo entre autores e filmes de movimentos ancestrais (“AS ESTAÇÕES”, Pelechian, e TRÁS-OS-MONTES, Reis e Cordeiro).

FUTURO
Na continuação do que havia sido a última edição do eixo, no passado mês de agosto, apresentam-se filmes em torno da ideia de “novos rumos”. São nove títulos (três deles curtos) unidos por uma dúvida: o que fazer com a liberdade? Em todos, um presidiário depara-se com a crueldade do mundo exterior e o fardo de uma pena impossível de cumprir na totalidade.

 
 
28/10/2024, 19h30 | Sala Luís de Pina
Ciclo Que Farei Eu com Esta Espada?

Sweet Sixteen
de Ken Loach
Reino Unido, 2002 - 106 min
 
28/10/2024, 22h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Que Farei Eu com Esta Espada?

Sois Belle et Tais-Toi!
de Delphine Seyrig
França, 1976 - 110 min
29/10/2024, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Que Farei Eu com Esta Espada?

Once a Thief
de Ralph Nelson
França, Estados Unidos, 1965 - 107 min
29/10/2024, 19h30 | Sala Luís de Pina
Ciclo Que Farei Eu com Esta Espada?

Trilogia Do Tio Rui
29/10/2024, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Que Farei Eu com Esta Espada?

Akasen Chitai
A Rua da Vergonha
de Kenji Mizoguchi
Japão, 1956 - 85 min
28/10/2024, 19h30 | Sala Luís de Pina
Que Farei Eu com Esta Espada?
Sweet Sixteen
de Ken Loach
com Martin Compston, Michelle Coulter, Annmarie Fulton, William Riane, Michelle Abercromby
Reino Unido, 2002 - 106 min
legendado eletronicamente em português | M/12
Futuro
Segundo tomo da “Trilogia de Glasgow” de Ken Loach – entre MY NAME IS JOE (1998) e AE FOND KISS (2004) –, SWEET SIXTEEN marca o regresso do realizador britânico ao universo da adolescência inquieta que marcou o seu filme mais aclamado, KES. Continuamos na cidade operária de Glasgow, mas entre 1969 e 2002 deu-se uma enorme transformação nos modos e costumes. Porém, se o panorama é outro, os dilemas sociais e familiares são os mesmos: há um adolescente (à espera que a mãe saia da prisão a tempo do seu 16.º aniversário) que não escapa à fatalidade dos seus sonhos. Um dos melhores exemplos do realismo britânico que lançou o ator Martin Compston – num desempenho que foi comparado, à época, ao do jovem Jean-Pierre Léaud em LES QUATRE CENTS COUPS. Primeira exibição na Cinemateca.

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28/10/2024, 22h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Que Farei Eu com Esta Espada?
Sois Belle et Tais-Toi!
de Delphine Seyrig
com Carole Roussopoulos, Ioana Wieder
França, 1976 - 110 min
legendado eletronicamente em português | M/12
Comunidade
É o filme mais conhecido dos filmes desconhecidos de Delphine Seyrig realizadora, que aqui entrevista 24 atrizes sobre a sua experiência profissional, papéis desempenhados, relações com encenadores, realizadores e equipas de trabalho. Um retrato coletivo no feminino que reflete, em 1976, o balanço negativo de uma profissão que remete as mulheres a personagens estereotipadas num mundo dominado pelo imaginário masculino. As perguntas de Seyrig vão ao fulcro da questão. Por exemplo: “Se fosses homem, terias escolhido igualmente ser ator?”; “Alguma vez representaste uma cena com outra mulher e, se sim, o papel dela foi o de rival ou confidente?”. O título exclamativo vem do filme realizado por Marc Allégret em 1958. Entre as convocadas, Ellen Burstyn, Barbara Steele, Jill Clayburgh, Juliet Berto, Shirley MacLaine, Marie Dubois, Jane Fonda, Maria Schneider, Viva, Anne Wiazemsky.
A apresentar em cópia digital.

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29/10/2024, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Que Farei Eu com Esta Espada?
Once a Thief
de Ralph Nelson
com Alain Delon, Ann-Margret, Van Heflin, Jack Palance
França, Estados Unidos, 1965 - 107 min
legendado eletronicamente em português | M/12
Futuro
A figura misteriosa de Zekial Marko atravessa ONCE A THIEF no corpo de Alain Delon. Ator falhado convertido em escritor e argumentista, Marko era próximo de Allen Ginsberg e Jack Kerouac e restante trupe Beat. O seu segundo romance, The Big Grab foi adaptado ao cinema como MÉLODIE EN SOUS-SOL (1963), transformando-se num dos maiores sucessos da carreira de Alain Delon. Assim, o ator insistiu na parceria e desse encontro surgiu ONCE A THIEF, o primeiro filme americano de Delon onde Marko adapta o seu próprio romance, Scratch a Thief. Distribuído em França como “Les Tueurs de San Francisco”, o filme acompanha as dificuldades de integração do ex-presidiário Eddie Pedak, entalado entre um polícia vingativo e um irmão envolvido no submundo dos assaltos. Nem de propósito, Zekial Marko seria preso durante a rodagem do filme. Primeira exibição na Cinemateca.

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29/10/2024, 19h30 | Sala Luís de Pina
Que Farei Eu com Esta Espada?
Trilogia Do Tio Rui
Futuro

com a presença de Mário Macedo

TRILOGIA DO TIO RUI
TIO RUI
MARIA SEM PECADO
A VOLTA DA REVOLTA
filmes de Mário Macedo
Portugal, 2011/16/18 – 32, 29, 27 min

duração total da projeção: 88 min | M/12

Mário Macedo, jovem realizador português já com uma série de curtas-metragens (venceu o prémio de Melhor Realizador no festival Curtas Vila do Conde em 2021 com o belíssimo TERCEIRO TURNO), apresentou-se com a Trilogia do tio Rui. Composta ao longo de oito anos, os filmes retratam o tio do realizador durante e após o seu aprisionamento. No primeiro tomo, o realizador acompanha as 72 horas de liberdade condicional do tio (e de toda a família que o rodeia). No segundo, o tio já cumpriu a sua pena de dez anos e está agora a viver com a mãe que, durante a sua ausência, desenvolveu doença de Alzheimer e já tem dificuldades em reconhecê-lo. Por fim, passados quinze anos da sentença, Rui regressa à sua rotina. Numa tentativa de se libertar dos fantasmas do passado, faz uma viagem, física e espiritual, pelos locais que mudaram a sua vida. Três filmes que demonstram o olhar atento de um cineasta. A VOLTA DA REVOLTA é uma primeira apresentação na Cinemateca.
 
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29/10/2024, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Que Farei Eu com Esta Espada?
Akasen Chitai
A Rua da Vergonha
de Kenji Mizoguchi
com Machiko Kyo, Ayako Wakao, Aiko Mimasu
Japão, 1956 - 85 min
legendado em português | M/12
Comunidade
A última obra-prima de Mizoguchi, que morreu nesse mesmo ano, é um gendai-geki, uma obra de tema contemporâneo, e uma história de prostitutas, como outros dos seus filmes e de tantos cineastas japoneses. AKASEN CHITAI (“a zona da linha vermelha”) concentra-se nas personagens de cinco mulheres que trabalham numa casa de uma rua de bordéis situada na histórica zona de prostituição em Tóquio. No contexto dos anos 1950 do pós-Guerra japonês, quando a lei (anti)prostituição, aprovada em 1956, estava a ser debatida no parlamento. A discussão participa do filme, no sentido alargado da devastação sócioeconómica que atinge as cinco mulheres: Hanae, Yumeko, Yorie, Yasumi e Mickey têm naturezas singulares e vivem realidades diferentes, partilhando aquele espaço de trabalho e a severidade das suas vidas. O humanismo é a marca do filme, em que não se vislumbra um laivo moralista. “Raras vezes o cinema nos terá dado figuras tão abstratas (recusa a qualquer psicologismo) com tanta carne, sexo e alma.” (João Bénard da Costa) A apresentar em cópia digital.
 
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