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Assunto: Programação
Data: 24/03/2026
Explorar o subgénero do mockumentary e o cinema de património
Explorar o subgénero do mockumentary e o cinema de património
O final de abril traz o início do IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema e, com isso, o arranque das sessões de duas secções que decorrem na Cinemateca Portuguesa: um olhar retrospetivo sobre o subgénero do mockumentary e a apresentação de uma seleção de novas cópias digitais recentemente restauradas, na secção Director’s Cut.

O mockumentary é um subgénero já com um ilustre catálogo, ao longo de mais de uma centena de anos de história do cinema (tendo também o seu repertório na televisão). Uma junção de mock (gozo) e documentary (documentário), é um formato onde as convenções do documentário são usadas para efeito, sobretudo, cómico ou de paródia. THIS IS SPINAL TAP, de Rob Reiner, filme que fará parte da programação, exemplifica de maneira acutilante como esta construção pode ser usada de forma magistral. O ciclo Isto não é um documentário explora este subgénero desde o início do século XX – com HÄXAN (1922) de Benjamin Christensen (numa exibição com acompanhamento ao piano, que se une ao ciclo Viagem ao Fim do Mudo) ou LAS HURDES (1933) de Luis Buñuel –, passando por clássicos dos anos 1990, como THE BLAIR WITCH PROJECT (de Daniel Myrick e Eduardo Sánchez, 1999) até ao cinema mais recente dos anos 2020, apresentando autores que afinaram o seu cinema nestes moldes, como Christopher Guest (BEST IN SHOW, 2000), sem esquecer os contributos do brasileiro Jorge Furtado (ILHA DAS FLORES, 1989) e do português Diogo Lima (OS ÚLTIMOS DIAS DE EMANUEL RAPOSO, 2021).
Num gesto de recuperação, resgate e reavaliação da história do cinema, o Director’s Cut traz obras únicas e primeiros filmes e o regresso de um autor. Será exibido o único filme de Ester Krumbachová enquanto realizadora (VRAZDA ING. CERTA, 1970), conhecida como argumentista dos filmes da Vera Chytilová e Jan Němec; bem como o filme ESPELHO DE CARNE (1985), de Antonio Carlos da Fontoura, o mesmo realizador de RAINHA DIABA, apresentado em 2023; a estreia internacional de uma cópia restaurada do documentário sobre o movimento pelo direito ao aborto francês (MLAC), REGARDE, ELLE A LES YEUX GRANDS OUVERTS, de Yann Le Masson (1980), agora com 40 minutos adicionais; e ainda os primeiros filmes da essencial realizadora sueca Suzanne Osten (MAMMA, um filme de 1982 sobre a sua mãe, crítica de cinema que tentou, sem sucesso, uma carreira como realizadora) e do lendário Mamoru Oshii (JIGOKU NO BANKEN: AKAI MEGANE, 1987), realizador de animação japonês e autor de GHOST IN THE SHELL.