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Assunto: PROGRAMAÇÃO
Data: 19/10/2017
A Cinemateca com o Doclisboa | Retrospetiva Quebeque
A Cinemateca com o Doclisboa | Retrospetiva Quebeque
No âmbito da retrospetiva A Cinemateca com o doclisboa - Uma Outra América: O Singular Cinema do Quebeque, realizam-se na Sala M. Félix Ribeiro três sessões para escolas, abertas ao público. As sessões têm lugar nos dias 20, 24 e 26 de outubro, sempre às 11h30.

Sexta-feira, dia 20 de outubro, 11h30

O Cinema Direto no Quebeque
À SAINT HENRY LE 5 SEPTEMBRE
de Hubert Aquin
Canadá, 1962 – 41 min / legendado em português e inglês
LA LUTTE
de Claude Jutra, Michel Brault, Marcel Carrière, Claude Fournier
Canadá, 1961 – 27 min / legendado em português e inglês
BÛCHERONS DE LA MANOUANE
de Arthur Lamothe
Canadá, 1962 – 27 min / legendado em português e inglês
duração total da projeção: 95 min | M/12

Sessão que abre três das grandes linhas temáticas do cinema desta época: a vida urbana (24h na vida do bairro operário de Saint-Henry, em Montréal, no primeiro dia de escola), o desporto (a luta profissional, entre um torneio no Forum de Montréal e os salões clandestinos), as comunidades isoladas numa natureza dura (no outono e inverno, os lenhadores trabalham numa floresta nevada). Três filmes em que a portabilidade do equipamento, o som síncrono, a imersão nos espaços-tempos filmados (ou seja, a linguagem do Cinema Direto) constroem, de maneiras muito diversas, retratos de enorme força poética.

Terça-feira, dia 24 de outubro, 11h30

Aos Que Vêm Aí
POUR LA SUITE DU MONDE
de Pierre Perrault, Michel Brault
Canadá, 1963 - 105 min
legendado em português e inglês | M/12
Primeira longa-metragem produzida pelo Office National du Film du Canada, estreado em Cannes em 1963, é o primeiro grande documentário do Quebeque, uma obra maior de Perrault e Brault. Filmado na Île-aux-Coudres no rio Saint Laurent, numa comunidade de pescadores de golfinhos de longa tradição, é não só um denso retrato antropológico, mas também uma reflexão sobre a história e identidade da região, sobre a relação desta com os habitantes anteriores, com o país Canadá e com a América como identidade. Uma obra sobre a persistência de uma comunidade assente na tradição. (Cf. também “Le Beau Plaisir”, de 1968, feito também com Bernard Gosselin).
Quinta-feira, dia 26 de outubro, 11h30

O Quebeque Livre? I
LA VISITE DU GENERAL DE GAULLE AU QUEBEC
de Jean-Claude Labrecque
Canadá, 1967 – 29 min / legendado em português e inglês
INCIDENT AT RESTIGOUCHE
de Alanis Obomsawin
Canadá, 1984 – 45 min / legendado eletronicamente em português
duração total da projeção: 74 min | M/14

A 24 de Julho de 1967 Charles de Gaulle visita a província do Quebeque. Labrecque (com a colaboração decisiva de Brault e Gosselin nas outras câmaras, e de Marcel Carrière no som) acompanha o acontecimento, construindo um percurso em crescendo até ao momento em que de Gaulle, após apelar à saudação da “Nouvelle France”, solta o célebre grito “Vive le Québec libre!”, que leva a população ao rubro e despoleta uma crise diplomática. Rodado em 35mm mas com um tipo de movimentação próximo do 16mm, o filme dá a sentir, como nenhuma reportagem do mesmo episódio, o espírito único desse momento coletivo. Em contraponto, Alanis Obomsawin apresenta uma profunda investigação acerca das rusgas policiais que tentaram travar os protestos do povo Mi’kmaq, após este mesmo povo ter visto restringidos os seus direitos à pesca do salmão. Duas faces de uma mesma moeda: a colonização e a representação das ideias de justiça e autonomia. O que significa um Quebeque livre?

Notas

imagem: LA VISITE DU GENERAL DE GAULLE AU QUEBEC, de Jean-Claude Labrecque